Tarcísio de Freitas está triste.
Escanteado por Jair Bolsonaro na sucessão presidencial em favor do filho, o governador de São Paulo parece ter tempo de sobra e… pouca autonomia.
Na falta do que fazer, resolveu entrar na onda fácil de ataques ao desfile que homenageou Lula. Celebrou o rebaixamento da escola com um moralismo de ocasião: “Já vai tarde”, disse ele, posando de defensor – de quê, mesmo?
É o papel que lhe restou. Sabe que, sem o oxigênio do bolsonarismo radical, ele não respira politicamente. Nunca teve voto em São Paulo. Aliás, desembarcou no estado como um turista que mal sabia o nome do próprio bairro onde forjou o domicílio eleitoral. Foi arrastado pelo braço por Bolsonaro, que o impôs como governador.
A direita dita “civilizada” e o PIB vivem sonhando com um Tarcísio moderado, um direitista exemplar. Bobagem. Tarcísio não tem coragem para o divórcio. Sabe que, se ensaiar um discurso mais limpo, um Eduardo Bolsonaro da vida o derruba com duas ou três postagens nas redes sociais.
Sem luz própria e sem as bênçãos para o Planalto, Tarcísio segue acampado na extrema direita, mendigando os votos que nunca foram seus. É um governador que governa São Paulo, mas ainda vive no interior do cercadinho.