A Polícia Federal (PF) está no cerne de um ataque cibernético orquestrado que visou os sites oficiais de deputados federais que apoiam o PL 1.904/2024, conhecido como PL Antiaborto. Após a queda dessas páginas e a exibição de conteúdos estranhos, incluindo um post antigo do presidente Lula no site de Eduardo Bolsonaro, a PF deu início à Operação Intolerans.
As investigações iniciais sugerem que os sites foram alvos de ataques de negação de serviço (DDoS), uma técnica que sobrecarrega os servidores, tornando-os inacessíveis. Inusitadamente, o incidente levou a uma coordenação internacional, pois houve relatos de atividades simultâneas em diferentes regiões.
Entre os parlamentares que sofreram as consequências desse ataque, pelo menos quatro se destacam: Eduardo Bolsonaro (PL-SP), cujo site foi invadido e substituído por um antigo tweet de Lula; Alexandre Ramagem (PL-RJ), cuja página apresentou instabilidade no servidor; Bia Kicis (PL-DF), que viu sua página sair do ar por sobrecarga; e Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), que enfrentou um erro interno que tornou seu domínio inacessível.
A queda dos sites ocorreu durante um fim de semana de grandes manifestações no país, onde a população protestava contra o PL que criminaliza o aborto após 22 semanas, mesmo em casos de estupro. Após a repercussão, um perfil anônimo no X (antigo Twitter) assumiu a autoria do ataque, rotulando os parlamentares como “bancada do estupro”.
A PF confirmou que o caso é tratado como um ataque coordenado, com indícios de que mais de um indivíduo possa estar envolvido. Com o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e Curitiba, a corporação visa identificar todos os responsáveis, mapear as origens dos ataques e assegurar que os culpados sejam responsabilizados. A investigação, por sua vez, permanece sob sigilo.