A disparidade econômica no Brasil é alarmante: a parcela mais rica da população concentra 27% da renda nacional, ao mesmo tempo em que paga menos impostos em comparação ao restante da sociedade. Essa revelação impactante vem do estudo “Retrato da Desigualdade e dos Tributos Pagos no Brasil”, apresentado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e pelo renomado economista francês Gabriel Zucman, diretor do EU Tax Observatory.
Os dados são ainda mais reveladores: 1% da população que ganha anualmente mais de R$ 5,5 milhões detém 27,4% da renda nacional. Enquanto os milionários enfrentam uma alíquota de 20,6%, a classe média paga cerca de 42,5%. Esses números, coletados em 2019, mostram um cenário de injustiça fiscal que merece atenção.
“A maioria dos grupos de renda paga entre 45% e 50% em tributos, reflexo da alta carga tributária sobre o consumo,” esclarece o estudo. Em contraste, os milionários que ganham pelo menos US$ 1 milhão por ano — cerca de R$ 5,5 milhões — pagam significativamente menos, gerando uma sensação de desigualdade fiscal.
O ministro Haddad enfatiza a urgência desses dados, afirmando que o Brasil não pode ser uma das 10 maiores economias do mundo e, ao mesmo tempo, estar entre as piores em distribuição de renda. Para Zucman, a pesquisa revela que a desigualdade é ainda mais grave do que se pensava. Ao considerar um conceito mais amplo de renda, fica evidente que a concentração de riqueza é um problema estrutural.
“Se examinarmos a renda de forma mais ampla, levando em conta os lucros empresariais, o 1% mais rico detém 27% da renda total,” destaca Zucman, posicionando o Brasil entre os países com maior desigualdade econômica do mundo.
O estudo também revela um sistema tributário regressivo: os brasileiros da classe média pagam proporcionalmente mais impostos do que os mais ricos. Isso se deve à predominância de tributos indiretos, que atingem desproporcionalmente quem ganha menos, e à isenção de impostos sobre dividendos.
“Em comparação internacional, esses milionários pagam entre 22% e 42% de sua renda em tributos, enquanto o Brasil permanece para trás,” acrescenta Zucman.
No momento em que o Congresso discute a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o aumento das alíquotas sobre os mais ricos, Haddad considera o estudo como um chamado à ação por justiça tributária. “Acreditamos que o bom senso prevalecerá, permitindo que o Brasil trilhe um caminho mais sustentável e equitativo,” enfatiza o ministro.
Na coletiva de apresentação, Haddad também lembrou uma megaoperação da Receita Federal, realizada para combater fraudes fiscais associadas à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), ressaltando a relevância de legislações que promovam uma sociedade mais justa.
Este estudo, resultado de uma colaboração entre economistas brasileiros e internacionais, lança luz sobre um problema crítico: como o Brasil pode crescer economicamente sem resolver a desigualdade endêmica que aflige sua sociedade? Sua opinião é importante! O que você acha que pode ser feito para melhorar essa situação? Comente abaixo!