
O Terreiro Palácio de Ogum e Caboclo Sete-Serra, um espaço sagrado localizado em Lençóis, na Chapada Diamantina, acaba de conquistar um feito significativo: seu tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Fundado em 1949, este é o templo de Jarê mais antigo ainda em funcionamento no Brasil, e sua história é um testemunho de resistência cultural e espiritual.
Após 18 anos de esforços, o sonho tornou-se realidade. Em uma celebração divulgada nas redes sociais, os membros do terreiro expressaram sua alegria: “Vencemos! Um sonho, uma batalha que agora se concretiza.” O processo de tombamento foi iniciado em 2007, quando a Associação dos Filhos de Santo do Palácio enviou uma carta ao Iphan, marcando o início de uma longa jornada pela preservação.
A importância do tombamento vai além do reconhecimento: representa a proteção federal contra destruição e demolição. Com essa garantia, qualquer modificação ou restauração do local deverá ser aprovada pelo Iphan. Esta ação é um símbolo essencial da resistência das populações negras, valorizando suas tradições e espaços espirituais.
Durante a votação do reconhecimento em Brasília, Sandoval, filho do fundador do templo, e a prefeita de Lençóis, Vanessa Senna, estavam presentes, reafirmando a relevância do tombamento. “É o respeito à nossa história, às nossas tradições e aos povos que as mantêm vivas”, declarou a prefeita, enfatizando o significado desse patrimônio sagrado.
Criado por Pedro Florêncio Bastos, carinhosamente conhecido como Pedro de Laura, o Terreiro Palácio de Ogum e Caboclo Sete-Serra é um espaço rico em simbolismo. Ao contrário do que é comum — onde templos são fechados após a morte de seus fundadores — este continua suas atividades em razão de um desejo feito por seu criador.
O terreiro ocupa um terreno de aproximadamente 3.782 m², dotado de uma casa principal chamada pagodô, onde se realizam rituais, além de um espaço consagrado aos exus. Este sagrado refúgio é envolto por natureza exuberante, árvores sagradas e pequenos cursos d’água, elemento que agrega ainda mais à sua essência cultural.
Esse importante momento clama por seu reconhecimento e apreciação. O que você pensa sobre a preservação da cultura e dos patrimônios da nossa história? Compartilhe sua opinião nos comentários!