TJSP arquiva ação contra PMs que mataram homem em surto diante da mãe

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Na madrugada de 16 de agosto do ano passado, a vida de Denner Wesley Batista dos Santos, um homem de 35 anos diagnosticado com esquizofrenia, terminou de forma trágica em Diadema, São Paulo. Ele se encontrava em um surto psicótico quando foi abordado por dois policiais militares, que alegaram ter agido em legítima defesa. No entanto, a história por trás dessa ação é marcada por dor e injustiça.

Regina Gonçalves, mãe de Denner, foi testemunha da cena aterradora. “Foi um crime cruel. Eu vi meu filho sendo assassinado, o desespero dele”, desabafou, refletindo a impotência de uma mãe que perdeu seu filho de forma brutal. Após o chamado ao SAMU, onde chegou a informar sobre o estado mental de Denner, a equipe médica solicitou a presença da polícia para garantir sua segurança.

Com uma faca de cozinha em mãos, Denner avançou em direção aos paramédicos. Os policiais, Pedro Henrique e Thiago William, dispararam cinco vezes. Dos tiros, quatro atingiram Denner fatalmente, enquanto um socorrista foi ferido de raspão. “Não havia necessidade de tantos tiros; um único poderia ter preservado a vida do meu filho”, lamentou Regina, que ficou paralisada diante da violência.

Desde o início da investigação, a utilização de armas não letais, como o taser, foi questionada. Conversas gravadas entre os policiais indicaram que eles discutiam se deveriam ou não empregar esses dispositivos, levantando dúvidas significativas sobre as diretrizes e a formação dos PMs. Um dos agentes, que não atirou, afirmou que não teve tempo de inová-las, uma alegação que contradiz a lógica da situação.

Mais chocante foi a insensibilidade demonstrada pelos policiais após a tragédia. Informações relatadas pela mãe e evidências reunidas indicaram que os agentes riam e demonstraram desprezo pela gravidade do acontecido, desumanizando Denner ao referir-se a ele de maneira depreciativa. “Estão rindo em cima do corpo do meu filho”, disse Regina, consumida pela dor.

Recentemente, o Tribunal de Justiça de São Paulo arquivou a ação penal contra os policiais. O promotor responsável alegou que os PMs agiram dentro dos limites da lei, alegando defesa de terceiros. Porém, as palavras de Regina ecoam no coração de quem conhece sua dor: “Como podem liberar duas pessoas assim? O que me resta agora?”

Transformando seu luto em luta, Regina fundou a Associação DW – A Força Materna do Luto à Luta, buscando apoio para outras mães que, como ela, enfrentam o desespero da perda. “Esta é minha luta hoje”, enfatiza, recusando-se a deixar que a tragédia defina sua vida. Sua coragem é um lembrete poderoso de que não apenas as vidas de Denner e sua mãe importam, mas também a luta por justiça e mudança em um sistema que falhou ao protegê-lo.

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