A tragédia em Mariana (MG), que ocorreu em 5 de novembro de 2015, marcou a história do Brasil com um impacto devastador. O rompimento da barragem de Fundão, gerida pela Samarco — uma joint venture entre a BHP e a Vale S.A. —, culminou em um dos maiores desastres ambientais do país, resultando na morte de 19 pessoas e afetando diretamente mais de 600 mil cidadãos.
Quando a barragem desabou, mais de 50 milhões de metros cúbicos de lama tóxica foram liberados, inundando comunidades inteiras e devastando uma vasta área equivalente a mais de 220 campos de futebol, incluindo três reservas indígenas. A contaminação do Rio Doce e a destruição dos habitats naturais deixaram uma marca indelével, levando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a classificar o desastre como uma catástrofe ambiental sem precedentes.
O colapso da barragem não apenas destruiu ecossistemas, mas também impactou profundamente a vida de quem ali reside. Interferências na biodiversidade resultaram na ameaça a mais de 400 espécies, incluindo 80 espécies de peixes e 35 de mamíferos.
Recentemente, o caso ganhou novos desdobramentos. O Tribunal Superior de Justiça de Londres considerou a BHP “parcialmente culpada”, afirmando que os sinais de risco eram claros e previsíveis. Um novo julgamento agendado para outubro de 2026 definirá o valor da indenização que as vítimas esperam há anos.
Mas o legado do desastre não se limita ao ambiente. Em um estudo de 2018, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelou que 12% dos afetados apresentam sintomas de estresse pós-traumático, um número alarmante que se eleva para 83% entre crianças e adolescentes. Essa realidade trouxe à tona problemas de saúde mental profundos, com muitos lidando com depressão, ansiedade e insônia.
À medida que se passam os anos, a busca por Justiça continua, especialmente quando se considera que, passados quase 10 anos da tragédia, nenhuma responsabilização criminal ocorreu no Brasil. Isso motivou as vítimas a recorrerem à Justiça britânica, buscando amparo onde não encontram no lar.
A tragédia de Mariana é um lembrete sombrio da importância da segurança ambiental e da responsabilidade corporativa. A luta por justiça e a recuperação das comunidades afetadas continuam, e a questão que permanece é: quanto mais precisamos sofrer antes que a mudança aconteça?