
A perda de Luis Fernando Veríssimo marca não apenas um luto pessoal, mas também a despedida de uma voz inconfundível no universo literário brasileiro. Ele levava consigo um fragmento vital de nossa habilidade de rir de nós mesmos, uma riso inteligente e cúmplice. Cada crônica sua era como ter um amigo espirituoso ao nosso lado, expressando o que sentimos de forma clara e colorida.
Tive a honra inigualável de receber uma dedicatória de Veríssimo em meu livro, História da Bahia – Jeito Baiano. Esse gesto não foi apenas uma validação de um grande autor para um humilde escritor de outra cultura, mas uma verdadeira partilha de conhecimento e sentimento. A gratidão que sinto por ele é uma herança eterna, um presente que levarei sempre comigo.
Raros autores brasileiros vivenciaram a alegria de ver suas palavras replicadas, muitas vezes por mãos alheias. Havia quem se atrevesse a assinar como Veríssimo, mas ele sempre encarava isso com bom humor. Em uma de suas revelações, comentou sobre a única crônica “fake” que aceitaria assinar: “Quase”. Essa generosidade demonstra sua grandeza, reconhecendo a beleza mesmo fora de sua autoria, como no caso da escritora Sarah Westphal, responsável pelo texto plagiado.
Nascido em Porto Alegre em 1936, e filho do renomado Érico Veríssimo, Luis Fernando cresceu imerso em literatura, jazz e humor. Como cronista, transformava o cotidiano em extraordinário, escrevendo diariamente com uma leveza que ressoava com o jazz que tanto amava tocar. Veríssimo revelou em uma rara entrevista que sonhava em ser músico, uma prova de sua genialidade e intuição.
Embora tenha partido, sua herança é indelével. Ele despertou em gerações a inteligência do riso, a desconfiança das certezas e a crítica ao poder. Sua morte não encerra sua presença; ela ecoa como um silêncio profundo após uma gargalhada estrondosa. Afinal, a vida deve ser uma crônica, e a de Veríssimo foi repleta de episódios memoráveis.
Como você se sente em relação à obra de Veríssimo? Compartilhe suas memórias e reflexões sobre esse grande escritor nos comentários!