InícioEditorialPolítica NacionalEm 3º lugar, direita sai derrotada de eleição legislativa na França

Em 3º lugar, direita sai derrotada de eleição legislativa na França

Aposta do presidente francês Emmanuel Macron dá certo e Reagrupamento Nacional, de Le Pen, não consegue a vitória esperada

Emmanuel Macron (esq.) e Marine Le Pen disputam a preferência do eleitorado francês. É o mesmo 2º turno das eleições de 2017 Foto: Reprodução/Twitter/@avecvous/@MLP_officiel

PODER360 7.jul.2024 (domingo) – 19h15

A direita sairá derrotada no 2º turno das eleições para a Assembleia Nacional neste domingo (7.jun.2024). Em 3º lugar, O RN (Reagrupamento Nacional, direita), partido de Marine Le Pen, e seus aliados devem conseguir pouco mais de 140 assentos na Casa Baixa do Parlamento, segundo projeção do Le Monde. As urnas fecharam às 20h (15h no horário de Brasília).

O resultado, significativamente abaixo das expectativas depois do 1º turno em 30 de junho, onde se estimavam 297 cadeiras, mostra que a aposta do presidente francês Emmanuel Macron de convocar novas eleições legislativas depois do avanço da direita no Parlamento Europeu deu certo. E a aliança entre centro e esquerda foi crucial para impedir a vitória esperada do RN.

O “cordão sanitário”, que incentivou candidaturas menos competitivas a desistirem do 2º turno para reduzir as chances da direita, foi eficaz em barrar a ascensão de um primeiro-ministro do Reagrupamento Nacional. Jordan Bardella (RN, direita), era o mais cotado para assumir o cargo. No entanto, nem o centro, nem a esquerda alcançarão a maioria absoluta de 289 cadeiras das 577 necessárias para formar um governo sozinhos.

Assim, a França verá provavelmente a formação de um governo de coalizão entre a NFP (Nova Frente Popular), liderada por Jean-Luc Mélenchon, e a coalizão Juntos, que inclui o partido de Macron, Renascimento. Este será o 1º governo francês sem uma força dominante clara desde a 2ª Guerra Mundial. Projeções do Le Monde indicam que a coligação de esquerda pode conquistar de 177 a 192 assentos, enquanto a coalizão Juntos está prevista para obter de 152 a 158 cadeiras.

O futuro da coabitação entre os partidos na Assembleia Nacional ainda é incerto, mas Macron evitou uma derrota esmagadora, já que sua coalizão terá um desempenho superior ao da direita. No entanto, isso não representa exatamente uma vitória para Macron.

Quando o presidente francês dissolveu a Assembleia Nacional depois da derrota nas eleições para o Parlamento Europeu, disse que a medida era necessária para permitir que a população francesa escolhesse seus governantes. No 2º turno deste domingo (7.jul), sua coalizão ainda foi menos votada que a união de esquerda, e o descontentamento de segmentos franceses com seu governo ainda é visível.

Eleições na França As eleições legislativas nacionais na França são pelo distrital puro: só é eleito para o Parlamento quem obtém maioria de votos no seu distrito.

O país é dividido em 577 distritos eleitorais nos quais há um número semelhante de eleitores (a ideia é preservar o conceito de “1 homem 1 voto”): os parlamentares escolhidos chegam ao Legislativo representando circunscrições nas quais o peso do eleitorado é equivalente.

Isso não acontece em eleições brasileiras. Os 26 Estados e o Distrito Federal são os “distritos” nos quais são eleitos os deputados federais. Dados do TSE de 2022 indicam muitas assimetrias. Eis uma comparação entre São Paulo e Acre:

O Estado de São Paulo tinha 34.667.793 eleitores em 2022 e teve o direito de eleger 70 deputados federais (ou seja, só 1 assento na Câmara para cada 495.254 eleitores paulistas); Já o Estado do Acre com 588.433 eleitores em 2022 escolheu 8 deputados (1 deputado cada 73.554 eleitores acrianos). Essas desproporções não ocorrem no sistema francês: os deputados que vão para o Parlamento representam circunscrições com números semelhantes de eleitores –ou seja, respeitando o princípio democrático de “1 homem 1 voto”. No Brasil os votos dos acrianos, por exemplo, valem muito mais do que os dos paulistas.

Além disso, na França, para que algum candidato ao Parlamento seja eleito no 1º turno é necessário obter pelo menos 50% + 1 dos votos. Só 76 candidatos conseguiram atingir essa marca em 2024. Os outros 501 serão definidos neste domingo (7.jul).

Outra particularidade do sistema francês é que no 2º turno não passam só os 2 candidatos mais bem votados, mas também os demais tenham atingido pelo menos 12,5% no 1º turno. No Brasil, em eleições de 2 turnos (prefeito, governador e prefeito) apenas os 2 candidatos com mais votos obtidos podem participar da rodada final de votação. Na França, há situações em que até 4 disputam.

Essa característica de haver vários candidatos disputando o 2º turno na França permite que alguns candidatos desistam e apoiem outros que considerem ter mais chance de vitória. É exatamente o que está se passando agora, com Macron tendo articulado esse movimento para tentar isolar os nomes da direita em vários distritos.

A França, diferentemente do Brasil, tem um sistema semipresidencialista. O presidente é eleito diretamente, mas divide parte da responsabilidade com o primeiro-ministro, escolhido pelo Legislativo. Hoje, o primeiro-ministro francês é Gabriel Attal, do mesmo partido de Macron.

Para indicar alguém para o cargo de primeiro-ministro, é necessário que o partido ou a frente tenha pelo menos 289 deputados. Caso a direita vença as eleições deste domingo (7.jul), a França entraria num sistema conhecido como “coabitação”: um presidente de centro (Macron) e um premiê de direita.

Macron foi eleito em abril de 2022 e seu mandato é de 5 anos. Ficará no cargo até 2027.

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