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Fufuca leva ao Esporte nomes que atuaram na Educação e na Codevasf sob Bolsonaro

Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

O ministro do Esporte, André Fufuca (PP) 01 de dezembro de 2023 | 19:44

Após afastar do Ministério do Esporte pessoas ligadas ao PT e à ex-ministra Ana Moser, André Fufuca (PP) vem montando seu time na pasta e, até aqui, alocou nomes da Educação, da Cidadania e da Codevasf do governo de Jair Bolsonaro (PL).

O mais notório foi o novo secretário-executivo da pasta, Antonio Paulo Vogel, número 2 do ex-ministro Abraham Weintraub na Educação durante a gestão passada.

Também tem cargo atualmente no Esporte a ex-diretora de programas da Educação do governo anterior, a secretária que cuidava de transferências de fundos no Ministério da Cidadania e um ex-assessor da Codevasf que emitia de pareceres e notas técnicas sobre obras.

Ainda que não tenha sido nomeada, a ex-jogadora de basquete Iziane Costa já foi anunciada pelo próprio Fufuca como nova secretária de alto desempenho —maranhense assim como o ministro, ela chegou a ser candidata pelo então PSL.

Para a Secretaria Nacional de Futebol são especulados o ex-ídolo do Flamengo Athirson e o ex-ídolo do Fluminense Washington, que foi secretário de esporte e lazer durante o governo Bolsonaro.

“Salientamos que é prerrogativa do ministro a seleção das pessoas que irão compor a sua equipe de trabalho. A capacidade técnica foi decisiva para a escolha dos ocupantes dos cargos de confiança”, afirmou o ministério, em nota.

“A filiação partidária não fez parte dos critérios que definiram os nomes escolhidos. Vários deles são servidores de carreira e alguns sequer estão ligados a partidos políticos. Nenhum dos nomeados responde a processo por corrupção”, completou a pasta.

Desde que a assumiu o posto, Fufuca vem retirando da pasta ou realocando nomes ligados à antecessora, Ana Moser, ou ao PT, além de servidores e pessoas que atuaram na equipe de transição de governo.

Por exemplo: a saída –ainda não foi oficializada– do secretário de Futebol e do Torcedor, José Luis Ferrarezi, ex-vereador pelo PT.

Marta Sobral, medalha de prata do basquete nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, e bronze em Sydney-2000, foi mandada embora e Diogo Silva, campeão Pan-Americano de 2007 no taekwondo e que era braço direito de Ana Moser, foi passado a coordenador.

No total, já foram feitas mais de dez trocas no Esporte, tendo como ponto de inflexão a chegada de Vogel.

Deputado federal e próximo do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), Fufuca chegou ao ministério em setembro, nas negociações de troca de apoio do centrão por cargos na Esplanada.

Pouco depois, na tramitação do projeto de regulamentação das apostas esportivas, deputados turbinaram as verbas do Esporte.

A saída de Ana Moser do cargo foi marcada por protestos de movimentos esportivos e de esquerda, que criticaram tanto a saída de uma pessoa da área para alocar uma pessoa de fora, como também a troca de uma mulher por um homem.

Na chefia de gabinete de Vogel, o novo secretário-executivo, foi nomeada Tarciana Barreto Sá, ex-diretora de programas do Ministério da Educação de Bolsonaro.

Já para a sua assessoria parlamentar, cargo que cuida da negociação com deputados e senadores e de emendas, Fufuca nomeou um ex-assessor da Codevasf, Ivo de Almeida Ico Filho.

No governo Bolsonaro, a empresa foi usada como uma das principais áreas de negociação de verbas parlamentares para irrigar obras de interesse de políticos em Brasília —muitas delas, como mostrou a Folha, com denúncias de irregularidades. A prática se mantém no governo Lula.

O novo assessor de assuntos parlamentares trabalhou na Diretoria de Desenvolvimento Integrado e Infraestrutura da companhia, setor diretamente ligado aos empreendimentos.

Segundo o seu currículo, Ico Filho era responsável por “emitir pareceres sobre projetos e matérias de interesse da diretoria, bem como elaborar notas técnicas, pareceres e demais proposições”. Trabalhou também por anos com o ex-senador Roberto Rocha, que é do Maranhão, estado de Fufuca.

A diretoria de certificação da Lei Pelé, antes ocupada por Paula Oda, escolhida por Ana Moser, foi para a ex-secretária de Gestão de Fundos e Transferência do Ministério da Cidadania do governo anterior —setor responsável, dentre outras coisas, por repasses de verbas.

A diretoria de certificação do Esporte é responsável por atestar, por exemplo, que as confederações nacionais estão, ou não, cumprindo com as obrigações de governança —por exemplo, regras de transparência e de alternância de poder.

A alternância foi uma das obrigações criadas em lei após escândalos de corrupção da era Nuzman no esporte brasileiro. Atualmente, nenhum presidente pode ser reeleito mais que uma vez —o que gerou inúmeros processos na Justiça nos últimos anos.

O não cumprimento das regras de transparência pode levar, dentre outras coisas, a suspensão de repasses de verba federal às entidades, por exemplo o dinheiro das loterias, a principal fonte de renda de grande parte das organizações esportivas.

Já a Secretaria de Alto Desempenho, que estava com a ex-atleta Marta Sobral, nome indicado pelo PT, foi passada para a também ex-jogadora de basquete, Iziane Castro.

Ela chegou a disputar as eleições de 2016, logo após as Olimpíadas do Rio de Janeiro, então pelo PSL, partido que elegeria Jair Bolsonaro à Presidência dois anos depois.

Em 2014, o hoje ministro da Justiça e indicado ao Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, disputava as eleições para o governo do Maranhão pelo PC do B e utilizou, em uma peça de campanha, uma frase de Iziane Castro.

A atleta foi a público dizer que não tinha declarado voto em Dino. Os dois chegaram a se encontrar uma série de vezes depois, em eventos sociais.

Para a Secretaria de Futebol, que teve uma indicação petista na gestão de Moser, agora tem dois nomes especulados.

Um é o do ex-ídolo do Flamengo, o lateral esquerdo Athirson, tido no momento como favorito.

Outro, que perdeu força, foi o ex-atacante Washington, idolatrado pela torcida do Fluminense, apoiador de Bolsonaro e que chegou a ocupar a secretaria de esporte e lazer na gestão passada.

João Gabriel/Folhapress

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