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Haiti tem 5 mi em insegurança alimentar, diz representante da ONU

Jean-Martin Bauer integra o programa mundial de alimentos da organização e afirma que o mundo se acostumou com a fome no país

Os dados apresentados são de relatório recente do IPC (Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, na sigla em português) Tereza Sobreira/Fotos Publicas

PODER360 10.abr.2024 (quarta-feira) – 9h28

O Haiti tem hoje cerca de 5 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, segundo Jean-Martin Bauer, diretor do PMA (Programa Mundial de Alimentos) da ONU (Organização das Nações Unidas). Ele fica baseado em Porto Príncipe, capital do país, de onde coordena ações do programa desde 2022. Os dados apresentados são de relatório recente do IPC (Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, na sigla em português). Eis a íntegra (PDF – 1 MB).

Para Bauer, no entanto, o mundo já se acostumou com a situação humanitária crítica pela qual o Haiti passa. “Talvez as pessoas tenham se acostumado ao Haiti sofrendo com níveis tão altos de fome. Mas não deveria ser uma desculpa”, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo, divulgada na 3ª feira (9.abr.2024).

De acordo com o diretor do programa, que trabalha na área desde 2000, a insegurança alimentar no Haiti foi se agravando ao longo dos anos, principalmente depois do furacão Matthew que atingiu o país em 2016.

“Em 2016, não havia insegurança alimentar aguda no Haiti. Após o furacão Matthew, no final daquele ano, eram 1 milhão nessa situação. O número chegou a 4 milhões durante a Covid. Agora estamos em 5 milhões”, disse.

O problema é agravado pelo conflito armado no país. Desde o início de março, o Haiti e enfrenta uma crise de segurança, quando grupos armados agiram para libertar milhares de presos da Penitenciária Nacional e mais de 3.500 escaparam.

Eles buscam derrubar o primeiro-ministro Ariel Henry. Em 12 de março, Henry concordou em se afastar para permitir a formação de um governo interino, depois de sofrer pressão dos países caribenhos vizinhos. Líderes de gangues e parte da população pedem a saída de Henry e a convocação de eleições. Em resposta, o governo do país decretou estado de emergência e toque de recolher.

Bauer diz que os grupos armados estão “impedindo” o funcionamento do sistema alimentar. “Enquanto houver conflito, não teremos um Haiti com segurança alimentar”, afirmou.

“Os grupos armados têm atacado os agricultores e sequestrado as mulheres que levam produtos agrícolas do campo para as cidades”, disse na entrevista.

BRASIL É INSPIRAÇÃO O diretor do PMA disse que o Brasil serve como uma inspiração no combate à fome. Ele citou programa como o Fome Zero, criado por Lula (PT) durante seu 1º mandato, em 2o03, e também o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), que tem incentivos para parte dos alimentos destinados a escolas públicas venha da agricultura familiar.

“Precisamos investir nos pequenos agricultores, e acho que o Brasil tem programas muito interessantes que mostram como isso pode ser feito. Precisamos apoiar os pequenos agricultores deste país para que possam alimentar seu próprio povo”, afirmou.

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