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Investigação apura se policiais cobravam taxa para levar celulares a presídio de Salvador

Policiais penais e monitores terceirizados serão investigados após uma acusação de que eles participavam do esquema de entrega de celulares a presos do Complexo Penitenciário de Mata Escura, em Salvador. Eles teriam cobrado taxas para facilitar a entrada dos equipamentos no presídio.

De acordo com a Polícia Civil, as investigações estão em curso para avaliar se há outros suspeitos de participação no esquema e a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) e destacou não pode dar mais informações, já que o caso corre em segredo de justiça. Duas técnicas de enfermagem já confessaram participação no crime na última terça-feira (26). 

Dois dos quatro homens que estariam pagando R$ 50 mil pela entrada clandestina dos aparelhos foram identificados: o traficante Fábio Souza dos Santos, conhecido como Geleia, e Cássio dos Santos Oliveira, o Cassinho, indiciado por homicídio qualificado e tráfico de drogas, que são os acusados de comprar os aparelhos. 

Um dos envolvidos, Cássio chefiava uma quadrilha de tráfico de drogas envolvida em mais de 50 homicídios no estado da Bahia e foi preso em Sergipe, em fevereiro de 2018. Ele estava com 10 mandados de prisão em aberto e era o Ás de Copas do Baralho do Crime da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), que reúne os criminosos mais procurados do estado.

O outro acusado de envolvimento no esquema, Fábio era responsável pela facção Bonde do Maluco (BDM) na localidade Vila de Abrantes, em Camaçari, Região Metropolitana de Salvador (RMS), e foi preso no Paraguai em outubro de 2018. Ele é acusado de comandar diversos crimes, incluindo homicídios. Entre os crimes atribuídos a Geleia está o assassinato do investigador Luiz Alberto dos Santos, que trabalhava na Delegacia de Abrantes. 

Relembre 

As duas técnicas de enfermagem que confessaram participação no esquema que cobrava para entrada clandestina de celular no Complexo Penitenciário de Mata Escura foram autuadas, no dia 31 de março deste ano. “Com essas informações ampliamos a operação Disciplina. Vamos aprofundar as investigações, pois não podemos descartar o envolvimento de outros servidores da penitenciária”, destacou o titular da DTE, delegado Yves Correia.

Em depoimento, na sede do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), as técnicas de enfermagem contaram que usavam faixas, por dentro dos sutiãs, para esconder smartphones e carregadores para os aparelhos. Explicaram que agiam de noite, pois naquele turno não tem a revista com a utilização de bodyscan (inspeção corporal).

Assim que entravam na sala destinada aos cuidados médicos, na ala masculina, elas escondiam os celulares e acessórios embaixo de um armário. Por fim, as técnicas de enfermagem informaram também que os pagamentos foram feitos em espécie e também por pix, que participavam do esquema desde de julho de 2021 e que nove celulares entraram dessa forma no presídio. 

A dupla foi autuada no artigo 349-A (ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional) do Código Penal.

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