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Ivete não era Vitória e já foi à Fonte Nova torcer contra

Ivete Sangalo, então com 20 anos, na Fonte Nova, torcendo pelo Palmeiras no duelo contra o Vitória (Foto: Antenor Pereira/Arquivo CORREIO

Dos 50 anos recém-completados por Ivete Sangalo, em pelo menos 20 ela não torcia para o Vitória. Normal para alguém que viveu até os 17 anos numa cidade do interior distante de Salvador, correto? Sim, bem comum. Mas não deixa de ser estranho se deparar com a cantora, quatro anos depois de chegar à capital, baixando na Fonte Nova para torcer por um rival do Vitória, e contra o Vitória, clube do qual hoje é torcedora-símbolo.

Essa passagem esquecida aconteceu em abril de 1993, curiosamente o ano mais importante da história do Leão, diante do adversário que o impediu de levantar o primeiro título brasileiro, no final daquela temporada: o Verdão.

Sim, Ivete é palmeirense. Ou era até, pelo menos, 13 de abril de 93, quando reclamou do fato de o time paulista não ter aplicado uma goleada no rubro-negro baiano, na velha Fonte. Na verdade, o time dela (na época) acabou foi perdendo de virada, mesmo atuando com um jogador a mais durante grande parte do jogo.

“Foi uma tristeza o Palmeiras deixar o Vitória virar o jogo no final. O time jogou bem, criou várias oportunidades, mas não aproveitou a chance que teve de ganhar fácil, até com goleada. Acho que não devemos nos preocupar porque no Parque Antártica o Palmeiras vai vencer sem problemas e continua na Copa do Brasil”, declarou Ivete na seção Meu Time, na qual torcedores ilustres comentavam a atuação de seus times do coração.

Era o jogo de ida das oitavas de final, e o ‘Palmeiras Parmalat’ era favoritíssimo, como a própria reportagem sobre o jogo, publicada no dia 14, explica logo na abertura: “O Vitória não tomou conhecimento do favoritismo do supertime do Palmeiras e venceu a equipe paulista ontem na Fonte Nova pela Copa do Brasil. A galera rubro-negra foi à loucura no estádio, sobretudo porque o triunfo foi conquistado de virada e com dez homens em campo desde os 6 minutos do segundo tempo”. 

A criança expulsa atendia pelo nome de Racinha, que recebeu a seguinte classificação na análise de atuações: “Jogador medíocre. Não tem condições de atuar no Vitória.”

Se a galera não gostou de ver Racinha, Ivete adorou ver seus ídolos verdes de perto.

“Fiquei muito feliz, porém, em poder assistir meu clube jogar. É realmente uma grande equipe, tem craques como Edilson (foi sensacional) e Edmundo. Acho porém que a defesa precisa melhorar, porque não pode facilitar como aconteceu contra o Vitória. Aqueles dois gols no finalzinho do jogo é para matar qualquer um do coração”, concluiu Ivete, ainda no início da carreira, perto de completar 21 anos. 

A legenda da foto dela no estádio, feita por Antenor Pereira, lembrava que, no Carnaval daquele ano, a juazeirense tinha sido eleita Cantora Revelação no Troféu Caymmi.

Em 2012, Ivete chegou ao Barradão de helicóptero para participar da festa do acesso

Em 2012, Ivete chegou de helicóptero ao Barradão para participar da festa do acesso à Série A. Na imagem, aparece ao lado de Ednaldo Rodrigues, também torcedor do Vitória e atual presidente da CBF (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Outra intrusa
Curiosamente, entre os 30 mil torcedores que foram à Fonte naquela noite, havia uma torcedora do Vitória que também estava vibrando pelo Palmeiras, mas com uma boa justificativa. Dona Maria de Lourdes Ferreira, intitulada “Mamãe coruja” num cantinho da reportagem, era a mãe de Edilson, atacante baiano que despontava naquele Verdão galáctico.

Com os filhos Elizeu, Eliomar e Sueli, irmãos do Capetinha e também rubro-negros fanáticos, ela assistiu ao jogo no meio da torcida palmeirense, confiante no talento do rebento, que arrebentou. “Fiquei nervosa o tempo todo. Não posso me queixar, apenas de ter torcido pelo meu filho. Edilson fez um gol e pensei que o Palmeiras ganharia a partida. Mas o Vitória mostrou força e chegou lá”, disse ela, reconhecendo o mérito do clube do coração.

Os gols de Dourado e Zé Roberto, no apagar das luzes, talvez tenham deixado dona Lourdes feliz por dentro. Além disso, ajudaram a derrubar o técnico Otacílio Gonçalves, que não conseguiu fazer o timaço formado, naquele dia, por Sérgio, João Luís, Antonio Carlos, Edinho, Roberto Carlos, César Sampaio, Mazinho, Edmundo, Evair e Zinho, superarem o time treinado por Cidinho.

Naquele dia, o Vitória jogou com Borges, Rodrigo, João Marcelo, Evandro e Cláudio Racinha (o ruína); Vampeta, Dourado, Giuliano e Arturzinho; Zé Roberto (Agnaldo) e Dão (Fabinho).

Duplo quase
Assim como no final do ano, que o Vitória ficou no quase em relação ao título da Série A (também com direito a gol de Edilson na Fonte, no primeiro jogo, que terminou 1×0 pros paulistas), o Leão por pouco não eliminou o favorito Porco no Parque Antártica.

O jogo de lá, na estreia do técnico Vanderlei Luxemburgo, foi apenas 1×0 pro Verdão, com domínio do time baiano e muitas chances claras desperdiçadas. A classificação veio pelo critério do gol fora de casa. Ivete Sangalo, portanto, acertou ao apostar que a classificação palmeirense viria em São Paulo, mas acabou sem comemorar aquele título, já que o Palmeiras caiu nas quartas para o Grêmio, nos pênaltis.

Busquei a assessoria da artista, para solicitar uma entrevista, já que fiquei curioso para saber em que momento Ivete virou a folha para o nosso time atual (também sou Vitória), mas fui informado que a artista está com a agenda bastante cheia e não poderia, sequer, responder aos questionamentos enviados por e-mail. A dúvida principal era se ela comemorou ou não o Brasileirão daquele ano.

[Essa coluna é dedicada ao amigo jornalista e rubro-negro Vitor Villar, que sinalizou esse achado, e a meu irmão Téssio, aniversariante da semana e palmeirense, tal qual Ivete].

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