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Lama, tráfico e abandono: os problemas que afligem a maior favela do país

O relógio marcava 17h30 de sexta-feira (17/3) quando uma forte chuva desabou sobre o Sol Nascente. A Região Administrativa foi declarada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a maior favela do Brasil, ultrapassando a Rocinha (RJ), até então número 1 no ranking nacional. A marca é a cara do abandono por parte do Estado e do crescimento populacional na RA, que acumula problemas sociais, como falta de escolas, segurança e postos de saúde.

Os buracos nas ruas sem asfalto viraram poças de lama. De cadeira de rodas, Claiton Rocha (foto em destaque), 50 anos, precisou desviar dos açudes que se formaram na rua onde mora. Para o cadeirante, a falta de infraestrutura fere a cidadania do povo.

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População do Sol Nascente (DF), a maior favela do Brasil, enfrenta graves problemas de infraestrutura e muita lama nos dias de chuva Breno Esaki/Metrópoles

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Sem asfalto e calçadas, dona Silvani Leite de Oliveira e sua filha Emily Roberta driblam poças de lamaBreno Esaki/Metrópoles

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Cidade sofre com o crime, especialmente o tráfico de drogasBreno Esaki/Metrópoles

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População conta com poucas escolas regiãoBreno Esaki/Metrópoles

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Wilson deseja uma escola na vizinhança para garantir melhor educação e conforto para o filho William e a filha Wany Breno Esaki/Metrópoles

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Desempregada, Josilene busca acesso aos programas sociais e uma vaga na creche para a filha Helena Breno Esaki/Metrópoles

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O chão tomado por sujeira, entulho e buracos impede o uso de carrinhos para bebêsBreno Esaki/Metrópoles

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Arenilton cobra melhorias no transporte público e sonha em um futuro melhor para o filho Benjamim Breno Esaki/Metrópoles

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Nonato não vê melhorias na região, onde nascentes morreram após o crescimento desordenado Breno Esaki/Metrópoles

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Cavalos em péssimas condições de saúde são vistos na maior favela do BrasilBreno Esaki/Metrópoles

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População cobra mais equipamentos públicos na região, como postos de saúde e uma delegacia Breno Esaki/Metrópoles

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Cães também são vistos vagando pelas ruas do Sol NascenteBreno Esaki/Metrópoles

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Segundo a prévia do Censo 2022, o Sol Nascente superou a Rocinha (RJ) e se tornou a maior favela do BrasilBreno Esaki/Metrópoles

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Devido a falta de saneamento e a casas abandonadas, a população teme surtos de dengueBreno Esaki/Metrópoles

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A região tem apenas um conselho tutelar. Situação sobrecarrega conselheiros e coloca em risco o atendimento à vítimas de diversos problemas socias Breno Esaki/Metrópoles

“Não tem como atravessar a rua por causa das poças de água e lama. Isso aqui é terrível. Para mim que sou cadeirante, é inviável ir a uma padaria para comprar um pão ou até mesmo um remédio, se precisar. Até para uma ambulância vir prestar socorro de madrugada é complicado”, afirmou Rocha, morador do Sol Nascente há 13 anos. O cenário é caótico e, frequentemente, adultos e crianças sofrem banhos de lama.

A ameaça da dengue é outro tormento na rotina de Rocha. “Eu já peguei quatro vezes”, disparou. A vizinhança é repleta de construções abandonadas. Terreno propício para o mosquito Aedes aegypti, o vetor da doença. Segundo o cadeirante e outros moradores, a região sofre com poucos equipamentos públicos de saúde. “É uma tremenda falta de respeito com a população do Sol Nascente”, arrematou.

Protegidas por um guarda-chuva Dona Silvani Leite de Oliveira, 46, e sua filha Emily Roberta, 9, enfrentaram a mesma chuva e o mesmo lamaçal nas ruas do Sol Nascente que Rocha. “A situação não está melhorando. E a gente quer que melhore”, comentou. Para a dona de casa, a região é afligida pela falta de equipamentos públicos, como uma delegacia. “Estamos esquecidos e sofrendo. Porque a água quando vem, leva tudo”, disse.

O frentista Wilson Leomar da Silva, 38, gostaria de ter uma escola na vizinhança para garantir o futuro da filha Wany Rebeca de Lima da Silva, 7, e do filho William Ryan de Lima da Silva, 12. “Educação é a principal demanda do Sol Nascente. Meus filhos estudam no Córrego da Coruja, um colégio rural”, contou. Os pequenos vão para o colégio no transporte escolar. A estrada precária, cheia de lama, preocupa Willian e as demais famílias da região.

Tráfico imperaSegundo a conselheira tutelar, Selma Aparecida da Costa, a região tem poucas escolas. “É uma violência contra as crianças. Porque precisam acordar mais cedo e andar longas distâncias de ônibus”, lamentou. De acordo com a conselheira, a região também tem um grande número de crianças e adolescentes diagnosticados como pessoas com deficiência (PCDs), e não há uma rede de acolhimento adequada para estes pequenos e jovens.

Do ponto de vista da conselheira tutelar, o tráfico tem reinado na maior favela do Brasil. “Nós temos casos de uso e reprodução do uso de drogas dentro das famílias. Se torna natural o uso abusivo de entorpecentes”, alertou. E mesmo diante deste quadro desafiador, o Sol Nascente tem apenas um conselho tutelar. Sobrecarregada, Selma não consegue atender a demanda popular e responder os prazos judiciais com a velocidade necessária.

A dona de casa Joseline Reis de Araújo, 28, não consegue passear de carrinho com a pequena Helena, um bebê de colo. Desempregada, ela pretende entrar na fila de acesso aos programas sociais e espera conseguir uma creche para a pequena. Afinal, ela só terá condições de começar um novo emprego, se tiver um lugar seguro para deixar a pequena enquanto estiver longe de casa.

O auxiliar de manutenção Arenilton Batista Ribeiro, 24, apontou outro problema do Sol Nascente: a oferta precária de transporte público. A população conta com poucas linhas de ônibus. Trabalhadores e estudantes precisam caminhar longas distâncias até as paradas. Além disso, motoristas de aplicativo se recusam a atender chamadas no local. Por este e outros motivos, Batista trabalha para proporcionar um futuro melhor para o filho Benjamim, 4.

Nascente mortaAo caminhar pela cidade Maurício Nonato de Jesus, 38, apontou uma curso d’água morto pelo crescimento desordenado. “Aqui, antigamente, era uma nascente. Olha o que virou: só lixo, cachorro morto, cavalo, rato, tudo de ruim”, apontou. Para Nonato, a situação no Sol Nascente atualmente é crítica. E se nada for feito a tendência é piorar.

A maior favela do Brasil continua a crescer. Novas casas e barracos continuam a ser erguidos. Pelas ruas desniveladas, animais aparentemente abandonados, como cães e cavalos, buscam alimentos nos pontos onde lixo é jogado e o esgoto corre a céu aberto. Crianças e adolescentes têm poucas opções de diversão. As quadras de esportes e futebol são escassas. Mesmo assim, quando a chuva dá uma trégua, a garotada se reúne para jogar uma partida e brincar.

Prato CheioSegundo a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), entre 2020 e 2022, o número de famílias do Sol Nascente contempladas pelo Cartão Prato Cheio saltou de 462 para 3.704. Ou seja ficou oito vezes maior. No caso do DF Sem Miséria/DF Social, entre 2019 e o ano passado, avançou de 6.980 para 9.717. Ao final de 2022, 11.549 recebiam o Cartão Gás.

Em relação aos demais auxílios (cesta emergencial, calamidade, excepcional, vulnerabilidade, natalidade e por morte), de 2019 a 2022, o somatório partiu de 978 para 7.252. Desde 2019, o DF investiu R$ 5,5 milhões em programas sociais na região. “Apesar de apresentar elevada demanda para a assistência social, o Sol Nascente não representa, atualmente, a maior demanda por serviços socioassistenciais do DF”, argumentou a Sedes.

Em agosto de 2021 foi instalado um Centro de Referência de Assistência Social (Cras) na região. A Sedes está com edital de chamamento aberto para locação de espaço para abertura de novo Cras.

Com relação à pavimentação, a Secretaria de Obras informou que os serviços estão concluídos em parte dos trechos 1, 2 e 3. Os contratos, no entanto, foram rescindidos em setembro de 2019 por questões jurídicas insuperáveis. Em 2020 e 2021, a pasta atualizou os projetos, inseriu trechos até então não contemplados e realizou novas licitações.

As obras na região foram retomadas pelo Trecho 2, em junho de 2022, para a execução de serviços de drenagem, pavimentação, construção de calçadas, instalação de meios fios e abertura de novas de lobo. Este contrato encontra-se em fase final de execução faltando apenas a construção de algumas calçadas.

As obras nos trechos 1 e 3 foram retomadas em outubro do ano passado. No momento, máquinas e operários trabalham na escavação das lagoas de detenção, para o funcionamento da rede de drenagem. Isso porque a água coletada pelas bocas de lobo é destinada a essas lagoas, que a recebe, decanta as impurezas e deságua nos córregos.

Assim que a estiagem começar, a pasta promete avançar nos serviços de drenagem em várias ruas da região. Os serviços de pavimentação somente podem ser iniciados após a conclusão da drenagem. Com o investimento de R$ 3,5 milhões, a obra do Terminal Rodoviário do Sol Nascente está em fase de acabamento.

EducaçãoSegundo o Governo do Distrito Federal (GDF), a região tem cinco escolas públicas e três creches conveniadas. Está em construção o Cepi Sol Nascente, com previsão de entrega até o fim do ano, e o CEF Sol Nascente, com previsão de entrega em 2024.

A Secretaria de Saúde informou que a região tem uma unidade básica de saúde, a UBS 16, uma unidade de pronto atendimento (UPA) e um Hospital de Retaguarda, o Hospital da Cidade do Sol. Mas não comentou qual é o planejamento para reforço no atendimento da comunidade.

SegurançaSegundo a Secretaria de Segurança Pública, a estratégia de policiamento e investigação na região é elaborada a partir de estudos, relatórios estatísticos e inteligência. A Polícia Civil (PCDF) informou que está em fase de tratativas a definição do terreno para construção da nova sede da 19ª DP/DPC, na região.

A Polícia Militar (PMDF) argumentou que atua de forma diuturna, e tem conseguido reduzir diversos tipos de crimes no Sol Nascente, nos últimos anos. A região conta com o 8º e 10º Batalhão de Polícia Militar e passou a contar com os novos militares do último concurso. O efetivo não foi informado, por estratégia de segurança.

LimpezaO Serviço de Limpeza Urbana (SLU) declarou que a região conta com coleta convencional porta a porta, de segunda a sábado, nas ruas em que há acesso para os caminhões compactadores. Onde não é possível, a população pode usar um dos 57 papa-lixos em operação.

O serviço de varrição manual é realizado na região de segunda a sábado. Além disso, o SLU verifica a possibilidade de processo licitatório (pregão) para ampliar a coleta seletiva para os catadores da região. Animais de pequeno porte mortos são recolhidos. No caso de bichos maiores é preciso chamar a equipe especializada pelo 162.

No caso de cavalos soltos em vias públicas, quem verificar a situação pode denunciar à Secretaria da Agricultura por meio dos telefones 3347-8019 e 98325-0369. Os animais soltos são recolhidos no curral de Apreensão de Animais da pasta.

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