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Mais de mil estudantes ficam sem aula após ataque a ônibus em Sussuarana

Quando dois criminosos atearam fogo em um ônibus na Avenida Ulisses Guimarães, no bairro de Sussuarana, na manhã desta segunda-feira (10), o terror para as vítimas  e de quem mora próximo ao local não foi a única consequência da ação. Por conta do ataque, cerca de 1,4 mil estudantes dos colégios municipais Novo Horizonte, Manoel Maximiliano da Encarnação, Cecy Andrade, Manoel Francisco do Nascimento e CCP Sussuarana ficaram sem aula por conta da situação de insegurança.

De acordo com a Secretaria de Educação do Estado da Bahia (Sec), que confirmou a suspensão das aulas também no Colégio São Daniel Comboni, isso teria ocorrido pela falta de fornecimento de energia elétrica na região de Sussuarana. A Sec não detalhou o porquê, mas a Neoenergia Coelba confirmou a ausência do serviço e o incêndio do ônibus coletivo como causa.

A empresa disse ainda que a previsão do reestabelcimento da energia na área era já para tarde desta segunda-feira. Mesmo assim, a recuperação do serviço não aconteceu a tempo para que os estudantes do turno vespertino pudessem ter aula normal. Uma mãe, que prefere não se identificar, se disse indignada com o caso.

“Como não fica revoltada? Meus filhos precisam estudar e, por causa de dois homens que decidiram botar fogo em um ônibus, um monte de criança e jovem são prejudicados. A gente já sabe que a situação dentro da sala não é fácil, mas é bem pior quando eles estão fora”, diz ela.

Um outro morador, que também não diz o nome por medo de represálias, reclamou não só da ausência de aula, mas sobre como uma ação de dois suspeitos prejudicou milhares de pessoas no bairro. Isso porque, além das escolas, outros estabelecimentos também fecharam as portas durante esta segunda-feira.

“É um prejuízo danado. Não só de ônibus que se acabou todo, mas de energia também. O povo ficou sem luz, o rapaz da churrasco nem vai abrir hoje por conta disso. Só você olhar ao redor e ver todos comércios fechados”, disse ele, apontando para dezenas de espaços comerciais que tiveram que fechar as portas após o ataque.

Os problemas também se estenderam para o transporte público da região, já que os ônibus pararam de entrar no bairro por conta da situação. O Sindicato dos Rodoviários informou que os veículos estão parando no Centro Administrativo da Bahia (CAB), que fica como final de linha até que a segurança na área seja reestabelecida para motoristas, cobradores e passageiros do transporte coletivo.

“Com o que temos presenciado, é preciso tomar medidas que possam proteger os rodoviários no exercício da sua profissão e também os passageiros. Não é a primeira vez que queimam o ônibus, virou rotina. E, do jeito que está, não vai ser a última”, fala Messias da Silva, diretor do sindicato.

De acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade de Salvador (Semob), três veículos de transporte coletivo foram incendiados em 2022. Nesse ano, os dois dos últimos dez dias foram os primeiros a serem alvos de ataques do tipo. Ainda assim, a situação preocupa Fabrizzio Müller, titular da Semob.

“A queima de ônibus traz prejuízos enormes para a população, já que a localidade afetadas ficam com um coletivo a menos a cada ato de vandalismo como esse. Precisamos que as autoridades ligadas à Segurança Pública tomem providências para que atos como esse e os criminosos envolvidos sejam investigados e que haja punição conforme a lei”, diz o secretário.

Ainda segundo a Semob, cada ônibus sem ar condicionado custa, em média, R$100 mil aos cofres público. Já quando o veículo tem ar condicionado, esse valor sobe para R$603 mil na compra de um novo.

Ônibus no meio da guerra

Na ação de hoje, os dois suspeitos que atearam fogo no ônibus interceptaram o veículo com motorista, cobrador e passageiros muito antes do local do incêndio. Ainda de acordo com Messias da Silva, o veículo foi parado pelos criminosos no fim de linha do bairro.

“Os dois pararam o carro ainda na Velha Sussuarana. Um deles desceu da moto, entrou no ônibus com uma arma e rendeu o motorista. Ele mandou seguir caminho enquanto o outro de fora acompanhava o percurso que o veículo, ainda com passageiros dentro, estava fazendo em direção a Nova Sussuarana”, conta o diretor. 

O ataque, segundo moradores ouvidos pela reportagem, seria um revide ao que houve dez dias antes, quando outro coletivo foi queimado no fim de linha. A Velha Sussuarana, local do primeiro incêndio, tem atuação do Bonde do Maluco (BDM). Já a região mais próxima o CAB, do incêndio de hoje, tem atuação do grupo criminoso do Comando Vermelho (CV).

“Aqui nessa área quem domina é o CV, dos que falam ‘Tudo 2’. Já no fim de linha, quem manda é o BDM, que eles falam que é o ‘Tudo 3’. Como queimaram um lá, o que aconteceu hoje foi uma resposta do grupo rival”, fala um morador, que mora próximo de onde o ônibus foi incendiado e acordou com o barulhinho da rua e a fumaça.

Ônibus ficou completamente destruído (Foto: Ana Lucia Albuquerque/CORREIO)

Por isso, como os suspeitos que seriam do BDM e não arriscam circular no local de atuação do rival, usaram o ônibus para camuflar a chegada na área. 

“Na hora que eles chegaram no lugar que era objetivo na Avenida Ulysses Guimarães, ele mandou todo mundo descer, espalhou a gasolina e ateou fogo. Saiu do veículo, subiu na moto que o parceiro estavam e saíram em fuga”, completa Messias, detalhando a ação dos bandidos na queima do ônibus.

Especialista em Segurança Pública, o professor Antônio Jorge Melo afirma que não é comum ver ações do tipo pela disputa do território. A queima de ônibus não é novidade, mas ela costuma acontecer apenas quando um integrante dos grupos é morto.

“É um fato novo. O que nós estamos acostumados a ver é essa queima de ônibus quando algum integrante é morto, como demonstração de poder e força de resposta. Porém, na disputa por espaço, não consigo entender qual é o benefício que esses grupos podem ter”, afirma o professor.

Questionado sobre a disputa entre facções e os danos causados a população como hoje, Marcelo Werner Filho, titular da Secretaria de Segurança Pública (SSP), falou que, apesar de ainda não ter identificado suspeitos, a pasta investiga a situação em Sussuarana.

“Essas facções continuam nesse enfrentamento entre elas que traz terror e insegurança para a população. Não permitiremos nenhuma ação dessa natureza, seremos firmes e fortes na prevenção e na reação desse tipo de delito”, garante Werner.

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