InícioNotíciasPolíticaNo rastro da dengue, casos de chikungunya aumentam no Brasil

No rastro da dengue, casos de chikungunya aumentam no Brasil

O Brasil registrou, até terça-feira (2/4), 2.624.300 casos prováveis de dengue, o número representa um recorde em comparação com anos anteriores, segundo informações do próprio Ministério da Saúde. Em meio ao avanço da doença, a chikungunya, também transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, tem registrado aumento ao longo de 2024.

O país já contabilizou 117.259 casos de chikungunya e 46 mortes pela doença este ano. Apenas nos primeiros três meses deste ano, foram registrados 141.212 casos de chikungunya, um aumento de 66,8% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Confira o aumento de casos da chikungunya:

O coeficiente de incidência da doença no Brasil é de 57,8 casos para cada grupo de 100 mil habitantes.

Minas Gerais é o estado com a maior incidência da doença, com 358 casos para cada 100 mil habitantes. Seguido por Espírito Santo (144,1), Mato Grosso do Sul (127,4), Mato Grosso (124,8) e Goiás (63).

Veja a distribuição da doença no país:

Gabriela Leite, média da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), aponta que o aumento de casos das duas doenças está relacionado porque elas possuem o mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti.

“A principal relação entre o aumento de casos de dengue e o aumento de casos de chikungunya é porque as doenças compartilham o mesmo vetor, que é o mosquito fêmea do Aedes aegypti. Está acontecendo um aumento considerável dos vetores por questões ambientais, que estão fazendo com que realmente o potencial de surto aumente muito”, explica a médica da UERJ.

Apesar do vetor, o pesquisador Christovam Barcellos, do Observatório de Clima e Saúde, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), destaca que a chikungunya tem menor incidência do que a dengue porque demora mais a se espalhar.

“O que podemos dizer é que a incidência de chikungunya é sempre menor que a de dengue e que os casos demoram mais para se espalhar numa comunidade. Uma das razões é que as pessoas (os infectados e os médicos) podem confundir os sintomas das duas doenças. Em geral, as pessoas procuram as unidades de saúde quando a dor articular é muito forte. Isso depois de uma semana ou até um mês depois dos primeiros sintomas”, pontua Christovam Barcellos.

Claudilson Bastos, consultor técnico do Sabin Medicina Diagnóstica, esclarece que as duas doenças, inclusive, possuem sintomas semelhantes, o que pode dificultar o diagnóstico.

“Dengue e chikungunya, eles são bem semelhantes, mas existem algumas diferenças básicas entre eles. Por exemplo, chikungunya leva a dores articulares bem significativas, e essas dores articulares, das pequenas e grandes articulações, ela pode perdurar por um tempo maior, e aí ela pode se tornar uma doença crônica prolongada”, afirma Claudilson Bastos.

“Dengue não causa isso, porém, a dengue pode causar fenômenos hemorrágicos. Na dengue grave, com os sangramentos, algo que chikungunya não levaria”, completa o consultor técnico do Sabin Medicina Diagnóstica.

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Dengue, zika e chikungunya são doenças cujos nomes são conhecidos no Brasil. Os três vírus transmitidos pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti, têm maior incidência no país em períodos de chuva e calor, e apresentam sintomas parecidos, apesar de pequenas sutilezas os diferenciarem Joao Paulo Burini

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Febre, dor no corpo e manchas vermelhas são sintomas comuns da dengue e das outras as doenças. Apesar disso, a forma distinta como evoluem, a duração dos sintomas e o grau de complicação são algumas das diferenças entre elas IAN HOOTON/SCIENCE PHOTO LIBRARY / Getty Images

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Estar atento aos sinais e saber identificar as distinções é importante para um diagnóstico e tratamento precisos, pois, apesar do que se pensa, essas doenças são perigosas e podem matar boonchai wedmakawand/ Getty Images

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Na dengue, os sinais e sintomas duram entre dois e sete dias. As complicações mais frequentes, além das já mencionadas, são dor abdominal, desidratação grave, problemas no fígado e neurológicos, além de dengue hemorrágica Uwe Krejci/ Getty Images

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Além disso, dores atrás dos olhos e sangramentos nas mucosas, como a boca e o nariz, também podem acontecer em pacientes que contraem a dengue SCIENCE PHOTO LIBRARY/ Getty Images

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Os sintomas da zika são iguais aos da dengue, só que a infecção não costuma ser tão severa e passa mais rápido. Há, no entanto, um complicador caso a pessoa infectada esteja grávida Sujata Jana / EyeEm/ Getty Images

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Nestas situações, a doença pode prejudicar o bebê em formação causando microcefalia, alterações neurológicas e/ou síndrome de Guillain-Barré, no qual o sistema nervoso passa a atacar as células nervosas do próprio organismo DIGICOMPHOTO/SCIENCE PHOTO LIBRARY/ Getty Images

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Já os sintomas da chikungunya duram até 15 dias e, segundo especialistas, provoca mais dores no corpo, entre as três doenças Peter Bannan/ Getty Images

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Assim como a infecção pela zika, a chikungunya pode resultar em alterações neurológicas e síndrome de Guillain-Barré Joao Paulo Burini/ Getty Images

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Apesar de não existirem tratamentos para as doenças, há medicamentos que podem aliviar os sintomas, bem como a indicação de repouso total. Além disso, aspirinas não devem ser utilizadas, pois podem piorar o quadro do paciente Milko/ Getty Images

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Caso haja suspeita de infecção por qualquer um dos vírus, é importante ir ao hospital para identificar do que se trata e, assim, iniciar o tratamento adequado o mais rápido possível FG Trade/ Getty Images

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O Aedes aegypti é um mosquito que se aproveita de lixo espalhado e locais mal cuidados e é favorecido pelo calor e pela chuva. Por isso, impedir a presença de água parada em sua casa, rua e empresa é o suficiente para travar a proliferação do inseto Bloomberg Creative Photos/ Getty Images

Casos de dengue O Brasil registrou bateu recorde de casos de dengue neste ano. No entanto, a doença tem demonstrado retração no Acre, Amazonas, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Roraima e Distrito Federal, segundo dados do Ministério da Saúde.

“Já temos oito estados com tendência de queda consolidada. Doze estados com tendência de estabilidade. Isso significa que já passaram o pico. Os estados que estão com tendência de aumento são sete”, disse a secretária de Vigilância em Saúde, Ethel Maciel, durante entrevista coletiva nessa terça-feira (2/4).

A médica da UERJ defende que as mudanças climáticas são os principais agravantes do aumento de casos de dengue no país, como o desmatamento e a emissão de gases de efeito estufa, que são mais evidentes durante o verão, que terminou no último 20 de março.

“No Brasil isso [aumento dos casos de dengue] acontece geralmente no verão, a gente já tem um clima quente e úmido, e tem piorado muito com essas ondas de calor, com os problemas climáticos. Então, é importante a gente ter noção do nosso impacto no meio ambiente”, enfatiza Gabriela Leite.

Apesar do índice de redução, o Ministério da Saúde e especialistas reforçam a necessidade de combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Como limpar reservatórios de água, guardar pneus em locais cobertos, guardar garrafa com a boca virada para baixo e realizar a limpeza periódica de ralos e outros tipos de escoamentos de água.

Em uma ação a longo prazo, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem oferecido a vacina contra a dengue para pessoas de 10 a 14 anos em municípios selecionados. De acordo com o diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunização, Eder Gatti, já foram distribuídas 1.235.119 doses do imunizante.

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