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PT sobe o tom contra Israel e eleva pressão sobre Lula no embate político da guerra

Foto: Luís Macedo/Câmara dos Deputados

A presidente do Partido dos Trabalhadores, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR) 17 de outubro de 2023 | 20:01

O PT, partido do presidente Lula, elevou o tom nesta terça-feira (17) numa troca de críticas públicas com a Embaixada de Israel em Brasília e ampliou a pressão sobre o governo no embate político sobre a guerra contra o grupo terrorista Hamas.

As declarações do partido —que disse que o representante de Israel no país “não tem autoridade moral para falar em direitos humanos”— levou aliados de Lula a tentarem nos bastidores descolar o governo da troca de acusações.

Na segunda-feira (16), o PT divulgou uma resolução sobre o conflito entre Israel e Hamas, iniciado após o grupo terrorista cometer ataques em território israelense que deixaram 1.400 mortos. A retaliação de Tel Aviv, por sua vez, provocou a morte de ao menos 3.000 pessoas, segundo o Ministério da Saúde em Gaza.

O PT disse na resolução que condena “todo e qualquer ato de violência contra civis, venham de onde vierem”. “Por isso, condenamos os ataques inaceitáveis, assassinatos e sequestro de civis, cometidos tanto pelo Hamas quanto pelo Estado de Israel, que realiza, neste exato momento, um genocídio contra a população de Gaza, por meio de um conjunto de crimes de guerra”.

A acusação de que Israel comete crimes de guerra e genocídio provocou uma resposta da missão diplomática. Numa rede social, a embaixada comandada por Daniel Zonshine falou, nesta terça, em “extrema falta de compreensão da atual situação”.

“Qualquer pessoa que pense que o assassinato bárbaro, a violação e a decapitação de pessoas é uma posição política, ou que se trata apenas de uma luta política legítima, possui uma extrema falta de compreensão da atual situação”, diz a nota.

“É muito lamentável que um partido que defende os direitos humanos compare a organização terrorista Hamas, que vai de casa em casa para assassinar famílias inteiras, com o que o governo israelense está fazendo para proteger os seus cidadãos”.

A réplica do PT veio horas depois. Referindo-se à explosão em um hospital em Gaza que deixou centenas de mortos —que desencadeou trocas de acusações entre Israel e Hamas sobre a autoria da agressão—, o PT disse que “quem representa no Brasil o governo que fez um ataque desta natureza não tem autoridade moral para falar em direitos humanos”.

A nota petista é assinada pela presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, e pelo secretário de Relações Internacionais, Romênio Pereira.

“Todos têm direito a defender seu povo, mas a busca por justiça não se confunde com vingança nem pode se dar por meio da Lei de Talião”, continua a manifestação do PT.

“Afirmar que o PT considera ‘o assassinato bárbaro, a violação e a decapitação de pessoas luta política legitima’, como faz a nota da embaixada, é uma atitude inaceitável por parte de quem tem a responsabilidade de representar no Brasil um país amigo”.

O novo atrito entre o PT e a embaixada israelense tem potencial de ampliar o flanco que adversários do Planalto têm usado para criticar Lula.

O Planalto se prepara para enfrentar no Congresso Nacional uma onda de ações da oposição, que busca usar a guerra para desgastar o governo.

Deputados e senadores da oposição têm explorado, em particular, a proximidade ideológica de alguns parlamentares do PT com a causa palestina.

Alguns aliados de Lula chegaram a defender o Hamas no passado, o que amplia o potencial de desgaste para o governo. Também buscam explorar o que consideram complacência do atual governo por não considerar o Hamas como um grupo terrorista.

O Brasil adota a posição histórica de seguir a classificação ditada pela ONU (Organização das Nações Unidas), que não incluiu o grupo nessa categoria.

Parlamentares do PT, incluindo os atuais ministros Alexandre Padilha (Secretaria de Relações Institucionais) e Paulo Pimenta (Secretaria de Comunicação Social), chegaram a assinar em 2021 uma nota em apoio ao Hamas, quando o Reino Unido decidiu classificá-lo como uma organização terrorista.

Padilha também foi criticado por receber, antes da eclosão do conflito, um assessor parlamentar que, no dia dos ataques, debochou nas redes sociais de uma das vítimas israelenses. Sayid Tenório acabou exonerado do cargo que ocupava no gabinete do deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA).

Marianna Holanda/Folhapress

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