InícioEditorialPolítica NacionalZagallo, 13 letras e uma vida a serviço da seleção

Zagallo, 13 letras e uma vida a serviço da seleção

Tetracampeão mundial morreu na 6ª feira (5.jan.2024) de falência múltipla dos órgãos; tinha 92 anos

“Brasil campeão tem 13 letras”.

Escutar essa frase é lembrar de Mário Jorge Lobo Zagallo (1931-2024). Uma das razões é o apego ao número 13, que surgiu com a mulher Alcina, devota de Santo Antônio, celebrado todo 13 de junho. A outra é a história vitoriosa, de mais de meio século, dedicada à seleção brasileira de futebol –dentro ou fora de campo. 

Quatro dos 5 títulos mundiais da seleção brasileira tiveram participação do Velho Lobo, como Zagallo é conhecido. Em 2 dos títulos, ele era atleta. Em um, atuou como técnico e, em outro, como coordenador técnico.

Mário Jorge Lobo Zagallo morreu às 23h41 de 6ª feira (5.jan.2024). O Velho Lobo, tetracampeão mundial com a seleção brasileira, tinha 92 anos. O Hospital Barra D’Or, no Rio, onde estava internado desde o final do ano passado, comunicou que ele não resistiu a uma falência múltipla de órgãos resultante de progressão de múltiplas comorbidades previamente existentes.

 A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) decretou luto de 7 dias em homenagem à memória do seu eterno campeão.

Em nota, o presidente da confederação, Ednaldo Rodrigues, lamentou a morte: “A CBF e o futebol brasileiro lamentam a morte de uma das suas maiores lendas, Mário Jorge Lobo Zagallo. A CBF presta solidariedade aos seus familiares e fãs neste momento de pesar pela partida deste ídolo do nosso futebol”.

O velório será na sede da CBF, no Rio de Janeiro, a partir das 9h30 de domingo (7.jan). A solenidade será aberta ao público. O enterro ocorrerá às 16h do mesmo dia, no Cemitério São João Batista.

TRAJETÓRIA Zagallo era alagoano de Atalaia, nascido em 8 de agosto de 1931. Antes de completar 1 ano, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. O talento com a bola nos pés chamou atenção na peneira em que foi aprovado para o time infantil do América-RJ, na Tijuca, bairro da zona norte carioca onde morava. Pelo Mecão, foi campeão carioca de Amadores em 1949, como juvenil.

Antes de brilhar no Flamengo, onde foi tricampeão carioca (de 1953 a 1955), foi recrutado pelo Exército. Em 1950, trabalhando como segurança no Maracanã, viu de perto o uruguaio Alcides Ghiggia silenciar a seleção brasileira e adiar o sonho do então inédito título mundial do Brasil.

A conquista da Taça Oswaldo Cruz (disputada pelas seleções de Brasil e Paraguai) em 1958 foi o começo da trajetória de Zagallo na seleção. Ele vestiu a amarelinha em 36 ocasiões e marcou 6 gols. Um na final da Copa do Mundo daquele ano, na vitória por 5 a 2 sobre os suecos, estampando a 1ª estrela no peito da camisa brasileira. E o ponta-esquerda deixou clara a importância tática –defensiva e ofensiva– que lhe rendeu o apelido “formiguinha”.

Foi em 1958 que a passagem de Zagallo pelo Flamengo chegou ao fim, com a mudança para o Botafogo. Foram 7 anos na Estrela Solitária, ao lado de Nilton Santos, Didi e Garrincha, com 2 títulos cariocas (1961 e 1962) e 2 Torneios Rio-São Paulo (1962 e 1964). Foi também vestindo a camisa alvinegra que o ponta-esquerda ajudou a seleção do Brasil a erguer a taça Jules Rimet, entregue ao vencedor da Copa do Mundo, pela 2ª vez, em 1962, no Chile.

TREINADOR Zagallo deixou os gramados aos 34 anos, iniciando a carreira como treinador.

Em 1966, assumiu o Botafogo, sendo bicampeão carioca (1967 e 1968) e conduzindo o clube ao 1º título brasileiro, em 1968.

Às vésperas da Copa do Mundo de 1970, o Velho Lobo foi chamado para comandar a seleção no México. Ele teria menos de 100 dias para trabalhar. Ainda assim, decidiu mexer no time que era de João Saldanha. Uma das alterações mais marcantes foi a escolha dos 5 jogadores mais avançados. Com Gérson, Rivellino, Tostão, Pelé e Jairzinho, todos camisas 10 nos respectivos clubes, a seleção conquistou o tri.

Depois de dirigir a equipe na Copa de 1974, Zagallo passou por diferentes clubes e países (Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos), até retornar à seleção em 1991, como coordenador técnico. Ao lado de Carlos Alberto Parreira, fez parte da comissão do tetracampeonato mundial, sendo escolhido para suceder o treinador campeão.

A nova passagem à frente da amarelinha teve momentos amargos, como a eliminação na semifinal da Olimpíada de Atlanta (Estados Unidos) para a Nigéria, mas também de conquistas, como a da Copa das Confederações e da Copa América, ambas em 1997.

Esta última foi especial, por ser a 1ª do Brasil longe de casa. Depois de derrotar os bolivianos na final, por 3 a 1, na altitude de La Paz, o Velho Lobo disparou contra os críticos a famosa frase: “Vocês vão ter que me engolir!”.

O vice-campeonato mundial na França, em 1998, deu fim à 2ª passagem de Zagallo no comando da seleção brasileira.

Ele dirigiu a Portuguesa e o Flamengo (onde venceu o Campeonato Carioca e a Copa dos Campeões de 2001). Depois do penta, em 2002, reeditou a parceria com Parreira, assumindo mais uma vez o cargo de coordenador técnico da seleção brasileira. A dupla levantou as taças das Copas América de 2004 e das Confederações de 2005. O adeus nas quartas de final da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, foi também o último trabalho do Velho Lobo, aos 75 anos.

Foram 135 partidas à frente do Brasil, com 79,7% de aproveitamento, sendo o treinador com mais jogos no comando da seleção. Como coordenador, ele participou de outros 72 jogos (65,7% de aproveitamento). “Zagallo craque” não tem 13 letras à toa.

Leia mais:

Lula e Bolsonaro lamentam morte de Zagallo: “Exemplo” Com informações da Agência Brasil.

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