Nos últimos meses, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) de 10 anos dispararam, subindo cerca de 40 pontos-base, atingindo uma alta de 4,66% em maio. O banco JPMorgan prevê que esses rendimentos podem chegar a 4,70%. Essa movimentação no mercado norte-americano levanta preocupações sobre os impactos nas ações da América Latina, especialmente considerando que essa região é conhecida pela sua maior volatilidade.
Os analistas do JPMorgan destacam que um aumento rápido nos rendimentos dos EUA geralmente aperta as condições financeiras, fortalece o dólar e provoca saídas de capital. Entretanto, a reação da América Latina pode variar dependendo se a valorização dos Treasuries é impulsionada por inflação ou crescimento econômico. Curiosamente, a região costuma se sair melhor quando a alta nos rendimentos é decorrente de inflação alta, ao contrário do que se poderia esperar.
Embora a alta nos rendimentos tenha se intensificado em 2022, devido à guerra entre Rússia e Ucrânia, a América Latina viu um desempenho relativamente forte, especialmente nos primeiros meses. O início do governo Lula trouxe uma resposta positiva do mercado às novas iniciativas fiscais, mesmo com os títulos do Tesouro americano em ascensão. Nesses contextos, setores como petróleo e commodities se mostraram mais resilientes, beneficiando-se de moedas latino-americanas mais fracas, favorecendo as exportações.
Análise histórica
De 2013 até agora, os rendimentos dos Treasuries subiram, em média, 80 pontos-base, com a América Latina apresentando um retorno absoluto médio negativo de -2%. A maioria dos casos de alta nos rendimentos foi associada a um crescimento mais forte do que o esperado, refletindo um cenário desafiador para países como Brasil e Colômbia, enquanto setores como petróleo e materiais apresentaram resultados positivos. Em geral, a desvalorização das moedas na região ficou em torno de 3%.
O movimento inicial nos Treasuries, que ocorreu após o início da guerra com o Irã, não afetou tão drasticamente a América Latina, que foi vista como um porto seguro. No entanto, a segunda fase da alta nos rendimentos levantou preocupações sobre pressões inflacionárias, com os mercados já prevendo possíveis aumentos nas taxas de juros pelo Fed em 2026. O JPMorgan acredita que o pico dos títulos do Tesouro já pode ter sido alcançado e que os efeitos de novas altas nos rendimentos serão limitados.
Poucos catalisadores no curto prazo
Os especialistas do banco veem a América Latina como atraente em termos de valor, mas o cenário macroeconômico atual não oferece muitos incentivos para uma mudança geral nas avaliações. Com as commodities mostrando potencial de valorização — especialmente cobre, níquel e ouro — e o petróleo se estabilizando, os lucros do setor devem se manter sólidos. Entretanto, a situação inflacionária e as taxas de juros no Brasil podem dificultar e limitar as expectativas de lucro.
Além disso, as eleições no Peru, Colômbia e Brasil são eventos cruciais a serem acompanhados, pois podem alterar o panorama político e econômico da região. A interação dos leitores é sempre bem-vinda, compartilhe sua opinião e análise sobre como essa situação pode evoluir!