A transformação digital no setor imobiliário avança para o registro de imóveis, facilitando a comunicação entre bancos, cartórios e incorporadoras. Com a implementação da padronização nacional dos registros eletrônicos, espera-se não só acelerar financiamentos, mas também melhorar a troca de informações, reduzindo retrabalhos e burocracia.
A digitalização dos registros foi introduzida pela Lei nº 14.382, de 2022, e ganhou destaque após o Conselho Nacional de Justiça regulamentar, em junho de 2026, um modelo padronizado para o envio eletrônico de dados aos cartórios. O diretor-presidente do Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis, Juan Pablo Correa Gossweiler, afirma que a transformação busca converter a matrícula analógica em dados estruturados.
Embora a maioria das matrículas já esteja digitalizada, a interpretação ainda depende de humanos. O desafio agora é transformar essas informações em dados que possam ser processados automaticamente, agilizando registros de financiamento e transações imobiliárias. Atualmente, as pessoas ainda precisam ler e interpretar matrículas eletrônicas, o que precisa mudar para garantir eficiência no processo.
De documentos para dados
A padronização é crucial, pois resolve um problema crônico da fragmentação do setor. Embora exista uma legislação, os mais de 3,6 mil cartórios operam com normas e interpretações diversas, causando inconsistências em operações. Cada transação pode ter fluxos diferentes, dependendo da localização, complicando a integração entre cartórios, bancos e incorporadoras.
Gossweiler destaca que a padronização evita retrabalhos e ajuda a reduzir a necessidade de revisões de documentos, tornando os processos mais ágeis.
O último elo da jornada digital
Para incorporadoras, a modernização dos registros é vista como a peça que faltava para a digitalização completa da jornada de compra e venda de imóveis. Guilherme Freitas, da MRV Engenharia, observa que o processo já é quase totalmente digital, mas ainda há barreiras quando é necessário retornar a etapas físicas.
A integração entre cartórios e o mercado imobiliário evoluiu nos últimos anos, com a colaboração de registradores, bancos e entidades do setor. Segundo Freitas, conectar informações que antes estavam desconectadas é vital para um futuro mais integrado.
Crédito mais ágil, mas não necessariamente mais barato
Embora a modernização dos registros esteja frequentemente ligada ao crédito imobiliário, especialistas alertam que a aprovação do financiamento ocorre antes da etapa registral. O processo de avaliação considera várias variáveis, como renda e histórico de crédito.
Welliton Moura, da plataforma de crédito imobiliário The House, enfatiza que o principal impacto da padronização ocorre na fase posterior à aprovação do financiamento, facilitando o registro e a liberação de recursos. Isso agiliza o recebimento de pagamentos por vendedores e incorporadoras.
Ganhos já começam a aparecer
O Operador Nacional de Registro Eletrônico de Imóveis reporta resultados positivos: o pedido eletrônico de certidões aumentou três vezes nos últimos três anos. Nos cartórios, certidões podem ser emitidas em tempo real, otimizando o processo e eliminando deslocamentos físicos desnecessários.
A padronização nacional deve encurtar os prazos de trâmite dos registros, alinhando-os com a legislação e reduzindo erros, o que torna o fluxo mais eficiente.
Infraestrutura para o futuro
A mudança não se resume apenas à digitalização, mas envolve uma reestruturação completa do mercado imobiliário. A criação do Cadastro Imobiliário Brasileiro e a padronização dos registros são passos rumo a um ambiente com menos burocracia e maior automação, o que poderá reduzir a assimetria de informações e o risco no sistema financeiro.
E você, como vê essa transformação no mercado imobiliário? Compartilhe suas ideias e experiências sobre o tema!