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A guerra pela vaga de Rosa Weber no STF e o lugar de Flávio Dino

Está para nascer quem recuse um convite do presidente da República para ser ministro do Supremo Tribunal Federal. O único que recusou, e por duas vezes, morreu – o advogado Luiz Carlos Sigmaringa Seixas, que não se sentia apto para o cargo. Modéstia.

Sigmaringa acompanhou Lula até a porta da prisão, em Curitiba. Ele era um dos poucos amigos que Lula convidava para suas festas de aniversário – uma em sua casa, a outra onde o PT marcasse. Da mesma forma, era amigo de José Serra (PSDB-SP)

Em 2022, quando Lula e Serra disputaram a presidência da República, Sigmaringa foi a ponte entre os dois. Sigmaringa foi deputado na Assembleia Nacional Constituinte de 1988 junto com Lula. Morreu sem ver Lula voltar à Presidência da República.

Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União, está em campanha aberta para suceder a Rosa Weber como ministro do Supremo. Bruno Dantas, presidente do Tribunal de Contas da União, é mais discreto. E Flávio Dino não quer sair do Ministério da Justiça.

O PT tem mais de um candidato à vaga de Rosa. Uma fatia dele apoia Messias. Outra torce para que uma mulher negra seja escolhida. E uma terceira defende Dino. Essa, acha que Messias e Dantas seriam leais a Lula, mas só Dino seria leal à esquerda.

Professor de Direito, duas vezes governador do Maranhão, senador cujo mandato só termina em 2030, Dino sente-se confortável no Ministério da Justiça e incomodado com a possibilidade de que venha a ser convidado para ministro do Supremo.

O que era o sonho de Sérgio Moro ao aceitar servir a Bolsonaro como ministro, não é o sonho de Dino, pelo menos por enquanto. É o que ele tem dito aos que o cercam. Perguntaram-lhe em uma entrevista outro dia se ele aceitaria ser ministro do Supremo.

O que ele poderia responder? Disse que seria uma honra, mas que Lula nunca falou com ele a respeito. A resposta foi interpretada por muitos como uma manifestação do seu desejo de saltar do Ministério da Justiça para o lugar de Rosa. Não foi. Mas que fazer?

Dino sabe que não poderia continuar no governo se dissesse não a um convite de Lula. Se Lula lhe dissesse: “Tenho outra missão para você”, ele aceitaria. Ministros do Supremo, sem força para emplacar seus candidatos, preferem Dino a qualquer outro nome.

O PSB de Dino já informou aos interessados que não renunciará ao Ministério da Justiça. Se Dino sair, indicará para substitui-lo o jurista anti-Lava-Jato Augusto Arruda Botelho, Secretário Nacional de Justiça. O PT fechado com Messias tem outros nomes.

O primeiro: o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Grupo Prerrogativas, o maior cabo eleitoral de Messias para o Supremo. O segundo: o advogado, ex-deputado federal do PT e atual Secretário Nacional do Consumidor Wadih Damous.

Lula ficou de anunciar o sucessor de Rosa até o fim deste mês. É quando ela se aposenta. No dia 2 de outubro completará 75 anos.

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