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Abin confirma reunião fora da agenda entre diretor e Ramagem

Encontro ocorreu em 16 de junho; segundo a agência, o deputado quis dar os parabéns a Corrêa por assumir a chefia do órgão

A Abin diz que o encontro não foi registrado na agenda oficial por falha ou descuido do funcionário responsável; na foto, o diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa Lula Marques/ Agência Brasil

PODER360 30.jan.2024 (terça-feira) – 9h15

O diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Luiz Fernando Corrêa, teve um encontro fora da agenda oficial com o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). O congressista chefiou a agência durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e teve seu nome envolvido em operação que investiga um suposto esquema de espionagem ilegal.

O encontro entre Corrêa e Ramagem ocorreu em 16 de junho de 2023 e foi confirmado pela Abin ao portal Metrópoles. Segundo a agência, a reunião foi solicitada pelo deputado e não há registro na agenda oficial por falha ou descuido do funcionário responsável por publicar as informações para consulta pública.

Conforme a Abin, a reunião foi “protocolar”. Serviu para que Ramagem pudesse dar os parabéns pessoalmente a Corrêa por ter assumido o posto de diretor-geral da agência. Ele foi nomeado no fim de maio. A Abin afirmou que a equipe de Relações Institucionais da agência e o diretor-geral “receberam ou reuniram-se no Congresso com 58 parlamentares em 2023”.

Ramagem foi alvo, na última 5ª feira (25.jan), da operação PF (Polícia Federal) que apura suposta espionagem ilegal realizada pela Abin. Ele chefiou o órgão de julho de 2019 até março de 2022. A operação foi autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

Na decisão (íntegra – PDF – 313 kB), consta relatório da PF que indica uma instrumentalização da Abin sob o comando de Ramagem. O deputado negou irregularidades e disse que um “núcleo” da PF tenta incriminá-lo “sem provas”.

Moraes autorizou na 2ª feira (29.jan) operações de busca e apreensão contra o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos). Conforme a PF, ele participou do “núcleo político” da organização criminosa supostamente formada por funcionários da Abin que monitorou autoridades sem autorização judicial.

O relatório da PF, divulgado na 2ª feira (29.jan), indica que a corporação identificou uma mensagem em que uma assessora do político pede “uma ajuda” da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) com inquéritos contra Bolsonaro e seus 3 filhos. A conversa é entre Luciana Paula Garcia, ex-assessora de Carlos, e Ramagem.

A decisão, porém, contém algumas ambiguidades. A mensagem, por exemplo, é reproduzida logo depois de o ministro citar várias supostas irregularidades em outubro de 2020. A data da conversa entre Ramagem e Luciana é uma 3ª feira, 11 de outubro. No calendário durante o mandato de Bolsonaro só há um 11 de outubro numa 3ª feira em 2022 (e não em 2020). Ou seja, Ramagem já seria deputado federal eleito pelo Rio e não chefiava mais a Abin. Entenda mais nesta reportagem.

Leia mais:

Carlos jamais pediria algo ilegal a Ramagem, diz Bolsonaro Ação da PF é “verdadeiro atentado à democracia”, diz defesa de Bolsonaro Assessora de Carlos pediu “ajuda” da Abin com investigação, diz PF Interferência política na Abin não seria fato “avulso”, diz PGR PF cometeu excessos durante operação contra Carlos, diz Eduardo Joice ironiza operação contra Carlos Bolsonaro: “Toc, toc, toc” Bolsonaro chama PF de Gestapo e mostra imagens dizendo que não se escondeu

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