InícioNotíciasPolíticaAtritos com bolsonaristas e “affair” com PT marcam 1º ano de Tarcísio

Atritos com bolsonaristas e “affair” com PT marcam 1º ano de Tarcísio

São Paulo — O primeiro ano de mandato do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo foi marcado, na arena política, por uma série de atritos com bolsonaristas, principais cabos eleitorais na campanha de 2022, e uma relação amistosa com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), incluindo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que foi seu adversário nas urnas.

O maior exemplo disso foi o apoio de Tarcísio à reforma tributária, aprovada na semana passada pelo Congresso e considerada a maior conquista do primeiro ano do governo Lula. O governador discutiu o assunto pessoalmente com Haddad e foi hostilizado por bolsonaristas em julho, por causa de sua posição, durante uma reunião que contou com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu padrinho político.

Os atritos com o bolsonarismo, contudo, começaram ainda antes da posse de Tarcísio, em 1º de janeiro. Os principais motivos foram a falta de cargos a bolsonaristas no governo, ante um amplo espaço na máquina entregue a aliados do secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD), e declarações públicas na qual o governador tentou se desvencilhar da direita radical e pregou uma relação republicana com o governo petista.

Nesta semana, o Metrópoles publica uma série de reportagens com o balanço do primeiro ano de governo de Tarcísio nas principais áreas da administração pública, como Segurança, Educação e Saúde. Veja abaixo, os principais tópicos que marcaram o primeiro ano de mandato do governador na arena política:

Tarcísio de Freitas

Tarcísio de Freitas Governo do Estado de São Paulo

Tarcísio de Freitas

Governador Tarcísio de Freitas, em São Sebastião, após a tragédia no litoral norte paulista Governo do Estado de São Paulo/Reprodução

Tarcísio de Freitas e Geraldo Alckmin

Governador Tarcísio de Freitas e vice-presidente Geraldo Alckmin Fábio Vieira/Metrópoles

Marina Silva e Tarcísio de Freitas

Marina Silva e Tarcísio de Freitas se encontram após chuvas em SP Reprodução

O secretário da Saúde Eleuses Paiva, o governador Tarcísio de Freitas e o deputado Caio França após sanção de PL sobre canabidiol

O secretário da Saúde Eleuses Paiva, o governador Tarcísio de Freitas e o deputado Caio França após sanção de PL sobre canabidiol Ciete Silvério/Governo de SP

Bancada do PL na Alesp com Tarcísio de Freitas

Bancada do PL na Alesp com o governador Tarcísio de Freitas Reprodução/Instagram

Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro

Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro Allan Santos/ PR

tarcisio e moraes

Tarcísio de Freitas e Alexandre de Moraes Igo Estrela/ Metrópoles

Tarcísio de Freitas e Gilberto Kassab

O governador Tarcísio de Freitas e seu secretário Gilberto Kassab Mônica Andrade/Governo de SP

Tarcísio de Freitas

O governador Tarcísio de Freitas Governo do Estado de São Paulo/Divulgação

Professor Tarcísio

Tarcísio de Freitas em Sala de Aula Governo do Estado de São Paulo

Vaivém bolsonarista Com um governo composto por nomes de confiança trazidos do Ministério da Infraestrutura, quadros indicados pelo secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD), seu principal articulador político, e ainda uma fração bolsonarista no primeiro escalão, Tarcísio tem se equilibrado entre o discurso moderado e pragmático, que acolhe demandas da oposição, e acenos à base radical do bolsonarismo.

O governador já teve três reuniões com o presidente Lula e, logo no início do mandato, condenou a tentativa de golpe promovida por bolsonaristas no dia 8 de janeiro, em Brasília. Depois disso, manteve a relação institucional mesmo diante dos sinais de que um dos seus principais pleitos, a concessão do Porto de Santos, não vai prosperar no governo petista. Também se mostrou sem restrições à interlocução com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), maior desafeto dos bolsonaristas hoje.

Ainda antes de assumir o Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio declarou que nunca foi um “bolsonarista raiz”, mas nomeou dois expoentes do bolsonarismo como secretários — Guilherme Derrite (Segurança Pública) e Sonaira Fernandes (Políticas para a Mulher) — e tem repetido em discursos voltados à base radical que tem uma “dívida de gratidão” com Bolsonaro, que o escolheu para ser candidato a governador de São Paulo.

Na política estadual, Tarcísio deu sinal verde para as negociações articuladas por Kassab para a eleição de André do Prado (PL), afilhado político de Valdemar Costa Neto, para a presidência da Assembleia Legislativa (Alesp), e tem feito uma série de acenos a parlamentares de oposição, como na sanção da lei que garante a distribuição gratuita de remédio à base de cannabis no SUS paulista, de autoria do deputado Caio França (PSB), filho do ex-governador e atual ministro dos Portos e Aeroportos do governo Lula, Márcio França.

Martelada e desestatização O discurso de que faria um governo próximo ao mercado financeiro e voltado a concessões e privatizações de ativos do Estado permeou toda a campanha de Tarcísio nas eleições de 2022. E o governador iniciou seu mandato demonstrando que pretende cumprir essa promesa, até como contraponto ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem falado em rever privatizações, como a da Eletrobras.

A imagem que resume o empenho do governador na agenda de desestatização até aqui é a de um Tarcísio eufórico, dando sete marteladas no púlpito da B3, a bolsa de valores, para celebrar o leilão da concessão do Trecho Norte do Rodoanel, vencido por um fundo de investimentos criado semanas antes. Na ocasião, ele lamentou que o martelo era de boa qualidade – sua intenção era quebrá-lo.

A concessão do Rodoanel Norte, último trecho do anel viário da Grande São Paulo, foi tida como uma vitória de seu mandato, embora tivesse sido inteiramente formatada pela gestão do ex-governador Rodrigo Garcia (PSDB). O negócio prevê investimento de R$ 3,4 bilhões para concluir a alça viária, paralisada em 2018.

Ao todo, a gestão Tarcísio aprovou um plano com 15 projetos de Parcerias Público-Privadas (PPPs) que devem ser formatadas ao longo deste ano, e já anunciou a contratação de estudos para a privatização da Sabesp, considerada a “joia da coroa” do governo paulista, e outro para vender a Empresa Metropolitana de Água e Energia (Emae), que foi barrado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

A predileção pelas privatizações também tem potencial para causar desgaste. O governo enfrenta uma grave crise no transporte sobre trilhos, com uma sequência de dez descarrilamentos de trens com passageiros nas linhas concedidas à ViaMobilidade, do Grupo CCR. Tarcísio tem se posicionado ao lado empresa e contra o Ministério Público Estadual, que deve apresentar nesta semana uma ação judicial pedindo suspensão da concessão.

Tragédia no litoral Um fator imprevisível com o qual Tarcísio teve de lidar nos 100 primeiros dias de governo foi a tragédia ocorrida no litoral norte durante o Carnaval, provocada por um temporal com volume recorde de chuva que causou deslizamentos de terra e a morte de 65 pessoas, além de deixar mais de 4 mil desabrigados.

No dia seguinte à tragédia, em 19 de fevereiro, quando a maioria dos corpos das vítimas ainda não havia sido localizada, o governador transferiu seu gabinete para São Sebastião, cidade mais castigada pela chuva, e fez uma série de ações emergenciais e anúncios para tentar resolver o problema habitacional na região.

O governo conseguiu garantir alimentos e alojamentos aos desabrigados, desobstruiu a Rodovia Rio-Santos em quatro dias e mobilizou equipes para resgate das vítimas, em ações conjuntas com o governo federal e as prefeituras do litoral. Na ocasião, Tarcísio ressaltou a importância do trabalho conjunto, incluindo adversários políticos, uma atuação diferente da que marcou o governo Bolsonaro.

No fim do mês de fevereiro, quando a crise já não era tão aguda, uma pesquisa de opinião feita pelo Instituto Paraná Pesquisas apontou que 61% da população paulista aprovava a gestão até aquele momento.

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