O atual cenário de juros reais acima de 8% ao ano transforma o Tesouro IPCA+ em uma das principais opções de renda fixa em 2026. As NTN-Bs, títulos públicos atrelados à inflação, cruzaram essa marca em junho e o impacto se estendeu também a papéis bancários e ao crédito privado. Especialistas apontam que, fora do Tesouro Direto, existem boas oportunidades, mas com riscos consideráveis para o segundo semestre.
O leque de opções é variado. Além dos títulos públicos, investidores têm acesso a remunerações atreladas à inflação em produtos como CDBs, LCIs e LCAs, debêntures incentivadas, CRIs e CRAs, além de fundos de crédito privado com carteira indexada ao IPCA, conforme Ângelo Belitardo, da Hike Capital. Contudo, ele alerta que os riscos variam significativamente entre os produtos.
CDBs de inflação
Os CDBs atrelados ao IPCA são vistos como um substituto natural das NTN-Bs, segundo Robson Casagrande, da GT Capital. Uma vantagem dos CDBs é a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF. Atualmente, esses títulos estão oferecendo, em média, IPCA + 8,34% ao ano para prazos de 36 meses, com máximas perto de IPCA + 9%, de acordo com a Quantum Finance.
As taxas de CDBs para 12 e 24 meses apresentam médias em IPCA + 7,94% e IPCA + 8,27%, respectivamente. Essa alta nas taxas está atraindo mais investidores, especialmente ao observar a queda nas taxas médias atreladas ao CDI.
| Prazo (meses) | Taxa mínima | Taxa média | Taxa máxima | Número de títulos |
|---|---|---|---|---|
| 12 | 7,31% | 7,94% | 8,37% | 59 |
| 24 | 7,36% | 8,27% | 8,97% | 105 |
| 36 | 7,34% | 8,34% | 8,95% | 155 |
Entretanto, mesmo com retornos atrativos, especialistas alertam que taxa elevada não garante um bom negócio. Belitardo ressalta os riscos, que abrangem prazo, liquidez e a saúde financeira do emissor.
LCIs e LCAs
Produtos como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e do Agronegócio (LCAs) oferecem vantagens adicionais, como a isenção de Imposto de Renda. Jeff Patzlaff, planejador financeiro, destaca que uma LCA com rentabilidade de IPCA + 6,50% limpos é equivalente, na prática, a um CDB tributável de IPCA + 8,0%.
Contudo, a busca por essas LCA e LCI com retornos elevados pode ser desafiadora, uma vez que as taxas médias em junho foram de IPCA + 6,08%, com máximas de 6,58%.
Crédito privado
Para aqueles com apetite para riscos maiores, as debêntures incentivadas, CRIs e CRAs se mostram opções interessantes, embora não contem com a proteção do FGC. Daniel Borges, da Route Investimentos, acredita que debêntures oferecem um dos melhores perfis de retorno líquido para pessoas físicas, especialmente em setores de infraestrutura.
Patzlaff menciona investimentos em empresas de infraestrutura, energia e agronegócio que oferecem retornos significativos, sem incidência de impostos. No entanto, a ausência do FGC torna essencial uma avaliação cuidadosa do risco, considerando garantias e a qualidade do emissor.
FI-Infra
Outra alternativa para aproveitar os altos juros reais são os fundos de investimento em infraestrutura (FI-Infras). Esses fundos, listados em Bolsa, possuem ativos indexados ao IPCA e, em alguns casos, oferecem taxas que superam IPCA + 10% ao ano.
Entretanto, retornos significativos requerem paciência, uma vez que dividendos recentes foram baixos e políticas de distribuição podem restringir benefícios.
Onde mora o perigo
Caio Tonet, da W1 Inc., aponta que o maior risco está no crédito, onde taxa elevada pode atrair investidores desavisados a papéis de empresas com dificuldades financeiras. Ele recomenda caution com empresas mais frágeis, como varejistas alavancadas e companhias aéreas.
Por outro lado, Casagrande recomenda diversificar os emissores e alinhar o prazo do papel aos objetivos do investidor, pois boa parte desses títulos pode não ter liquidez diária.
Esse cenário exige atenção redobrada e análise cuidadosa. Você se sente preparado para investir nesse ambiente desafiador? Compartilhe suas ideias e experiências nos comentários!