
Cerco da PF e do MP a ex-integrantes da gestão Cláudio Castro frustra planos do PL e gera apreensão entre aliados

A recente onda de operações policiais no Rio de Janeiro está gerando uma turbulência significativa na pré-campanha do deputado estadual Douglas Ruas (PL) ao governo do estado. Com dois aliados seus enfrentando investigações, há um sentimento crescente entre os membros da federação União Progressista (União Brasil e PP) de que essas frentes podem prejudicar a imagem de Ruas e a performance eleitoral da coligação.
A situação se agravou com a prisão de diversos indivíduos por envolvimento em um esquema de desvios no Instituto Rio Metrópole, incluindo Maurício Knoploch, pai de um deputado estadual. Além disso, o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), também foi preso sob acusações de lavagem de dinheiro e posse ilegal de arma.
Desde maio, a coligação já lidava com os desdobramentos das investigações envolvendo o ex-governador Cláudio Castro, que desistiu da corrida ao Senado após se tornar alvo da Polícia Federal. A preocupação agora é que novas operações atinjam antigos membros de sua gestão e, consequentemente, afetem ainda mais a candidatura de Ruas.
A incerteza sobre a continuidade das investigações está criando um clima pesado entre os aliados de Ruas. O governo interino, sob o comando do desembargador Ricardo Couto, teve sua atuação intensificada pelas auditorias que geravam as operações. Políticos próximos ao pré-candidato temem que essas ações possam ser expandidas, com uma fonte citando que “uma nova operação poderia ser devastadora”.
“Ele tem chances, mas o cenário está complicado. Hoje, apostaria que outra operação vai ocorrer contra pessoas ligadas ao governo do Castro e ao PL. Isso é bastante negativo”, desabafou um político local.
Adicionando à complexidade da corrida ao governo, Douglas Ruas tenta agora distanciar sua imagem dos escândalos do passado, criticando abertamente a gestão anterior. No entanto, essa estratégia encontra resistência, visto que opositores estão prontos para associar sua candidatura a cenas de corrupção ligadas ao governo Castro. O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) tem liderado as pesquisas, com ampla vantagem sobre Ruas e utilizado as redes sociais para reforçar a associação negativa.
Desafios na corrida ao Senado
No cerne do cenário político do Rio de Janeiro, que é historicamente relevante para a família Bolsonaro, a chapa do PL enfrenta dificuldades adicionais na corrida ao Senado. A situação se tornou ainda mais volátil após a prisão de Canella, que seria um dos candidatos à vaga.
Em meio a essa incerteza, a escolha do novo candidato ao Senado, que deveria ter sido anunciada rapidamente, foi adiada. O senador Flávio Bolsonaro, envolvido nas articulações, ainda não definiu um novo nome, alimentando a ansiedade entre os apoiadores.
Apesar das movimentações para alterar a chapa, a incerteza quanto ao futuro de Márcio Canella continua a pairar sobre a candidatura, afetando a mobilização da campanha nos próximos meses.
