Áudios apontam pagamento de propinas a policiais em SP para proteger o PCC

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Áudios encontrados no celular de Cléber Azevedo dos Santos, conhecido como “companheiro” do PCC, revelam um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo alguns dos maiores doleiros do Brasil. Com 59 gravações, a Polícia Federal compartilhou as evidências com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, o que levou à deflagração da Operação Bazaar.

Esta operação, realizada em março, focou em um sistema corrupto que conecta pelo menos quatro delegacias e três divisões da Polícia Civil de São Paulo. Durante a ação, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, além de 11 prisões e seis intimações, que impactaram integrantes da organização criminosa e servidores públicos.

A operação subsequente, chamada Janus, resultou na prisão de 18 acusados. Desses, 11 foram capturados em uma ação recente, enquanto outros dois já estavam detidos. De acordo com o Gaeco, as gravações fornecem provas claras da participação de investigados em atividades ilícitas e no financiamento da facção criminosa.

Uma das conversas analisadas envolveu o advogado Guilherme Sacomano Nasser, que supostamente ofereceu propina de R$ 100 mil a policiais para barrar investigações ligadas ao grupo de Azevedo. Policiais identificados não teriam investigado condutas ilícitas, conforme relatórios de inteligência financeira do COAF.

A Operação Janus também indicou que os operadores financeiros do PCC mantinham laços com ex-altos oficiais da PM de São Paulo, como Luiz Carlos Pereira Martins e José Augusto Coutinho. O último pediu demissão em 16 de abril, após um encontro com o governador Tarcísio de Freitas, onde um promotor apresentou um áudio que indicava a venda de informações ao PCC por PMs da Rota. O comando da PM destacou que colaborou com a operação.

As revelações trazidas à tona pelos áudios expõem a profundidade e a rotina de corrupção dentro do sistema, levantando sérias questões sobre a integridade das instituições envolvidas. O papel de advogados e policiais como intermediários nas operações criminosas aponta para um cenário preocupante, onde a confiança na justiça é amplamente contestada.

E você, o que pensa sobre a relação entre corrupção e instituições de segurança pública? Compartilhe suas opiniões nos comentários!

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