Um dos mais significativos acervos cinematográficos da Bahia enfrenta sérios riscos de desaparecimento, demandando ações urgentes para sua preservação. O pedido vem de Oscar Santana, um ícone da cultura baiana de 92 anos, que se preocupa com a conservação de um material filmográfico inestimável, essencial para a história do cinema local e nacional.
Oscar Santana, uma figura discreta no universo cinematográfico, é descrito como um dos pilares invisíveis que sustentam a produção de filmes no Brasil. Sua trajetória reflete a importância de agentes que, embora não estejam no centro das atenções, são fundamentais para a realização de obras significativas. Dentro desse contexto, sua jornada inicia-se no Clube de Cinema da Bahia, onde desenvolveu um conhecimento abrangente em um momento em que Salvador carecia de infraestrutura cinematográfica.
Com essa bagagem, ele se uniu a Roberto Pires para criar a Iglu Filmes, a primeira produtora estabelecida fora dos centros tradicionais do cinema. A Iglu não foi apenas um local de trabalho, mas sim um marco que permitiu a criação de importantes produções, como “Barravento”, de Glauber Rocha. Embora a fama recaia muitas vezes nos cineastas, é vital reconhecer que muitos filmes só ganharam vida graças às bases construídas por pessoas como Santana.
Paralelamente ao seu trabalho colaborativo, Santana também investiu em sua obra autoral. Ao dirigir filmes como “O Caipora” e “O Pistoleiro”, ele trouxe à tona narrativas que dialogam com a cultura baiana. Ao invés de seguir os preconceitos do cinema experimental à época, optou por um formato acessível, ligando o público a suas próprias histórias.
A fundação da Sani Filmes em 1961 foi um gesto de resistência e autonomia artística. Santana não apenas manteve uma produtora em atividade durante décadas, mas preservou o saber-fazer cinematográfico em um ambiente muitas vezes hostil à produção local. Esse compromisso demonstrou que o cinema pode ser um exercício de persistência cultural.
Com a crescente valorização das histórias regionais no cinema brasileiro, a importância de Oscar Santana se torna evidente. Ele representa não apenas uma memória de um ciclo cinematográfico, mas a construção de uma infraestrutura cultural única em um país que frequentemente ignora seus verdadeiros arquitetos.
Urgência na Preservação
A fragilidade da história do cinema é uma realidade constante. Não basta que um filme seja produzido; sua permanência depende da conservação dos seus suportes, como películas e equipamentos. Na Bahia, essa necessidade é ainda mais urgente, já que a produção cinematográfica muitas vezes nasceu de iniciativas artesanais e carece de cuidados contínuos.
O acervo de Oscar Santana é emblemático, sublinhando a falta de instituições adequadas para acolher e preservar grandes conjuntos audiovisuais. Um acervo que não recebe os devidos cuidados está fadado à deterioração: películas perdem qualidade, fitas são danificadas e equipamentos podem se tornar irrecuperáveis. Isso não significa apenas a perda de objetos, mas de toda uma narrativa cultural que eles representam.
É imperativo que a Bahia inicie um debate sobre a criação de uma cinemateca estadual, voltada para a proteção e restauração de acervos. Sem iniciativas concretas, muitos capítulos essenciais da história do cinema nordestino correrão o risco de serem extinguídos.
Preservar a memória audiovisual é um compromisso com o futuro. O legado de Oscar Santana e de muitos outros cineastas baianos depende de ações coordenadas imediatamente. A cultura do cinema na Bahia não deve apenas existir; ela deve ser garantida.
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