Justiça interrompe reintegração na Aldeia Lagoa Doce após bloqueios

Compartilhe

Nesta terça-feira, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região suspendeu a reintegração de posse e a demolição previstas para a Comunidade Indígena Pataxó da Aldeia Lagoa Doce, em Trancoso, que estavam marcadas para esta quarta-feira. A decisão, assinada pelo desembargador Pablo Zuniga Dourado, foi uma resposta ao recurso do Ministério Público Federal.

O magistrado destacou que a retirada das famílias poderia infringir uma determinação do Supremo Tribunal Federal, que está avaliando a legalidade do título de propriedade da área, colocando-a sob custódia judicial.

Faltaram medidas obrigatórias para remoção coletiva

O desembargador também ressaltou que a remoção coletiva não atendeu as exigências necessárias, como:

  • realização de audiência pública;
  • elaboração de plano de ação;
  • cronograma de desocupação;
  • cadastramento das famílias afetadas.

A ausência dessas etapas foi considerada pelo juiz como um indicativo de que a reintegração seria prematura.

Tensão e protestos em Trancoso

Pouco antes da suspensão, a tensão aumentou na região. Indígenas da Aldeia Lagoa Doce fecharam o trevo do distrito, bloqueando os acessos a Caraíva e à Praia do Espelho. Esse bloqueio gerou congestionamentos e interrompeu o fluxo de veículos, afetando moradores, trabalhadores e turistas.

Enquanto o trânsito permanecia parado, caciques e lideranças indígenas se reuniram com representantes da Funai e das forças de segurança, buscando uma solução negociada diante da ordem judicial.

A área em questão é reivindicada pela comunidade Pataxó, mas a titularidade está atribuída à empresa Itaquena S/A, parte do território também integra o Refúgio de Vida Silvestre do Rio dos Frades, sob administração do ICMBio.

Mandados serão recolhidos

Com a decisão do TRF-1, a reintegração de posse foi suspensa imediatamente, proibindo qualquer ação de força programada para o dia 8 de julho. A Vara Federal de Eunápolis foi instruída a recolher os mandados expedidos e notificar as forças de segurança sobre essa suspensão.

Cerca de 200 indígenas vivem na área

A Aldeia Lagoa Doce abriga cerca de 200 indígenas Pataxó. A disputa em torno da área se arrasta na Justiça, envolvendo a reivindicação de posse pela comunidade indígena e pela empresa Itaquena S/A. A suspensão da reintegração é mais um desenvolvimento no complexo conflito fundiário da região, enquanto o Judiciário analisa a validade do título de propriedade do imóvel.

Você sabia que o Itamaraju Notícias está no Facebook, Instagram, Telegram, TikTok, Twitter e no Whatsapp? Siga-nos por lá.

Veja também

Canaltech
O Itamaraju Notícias está no WhatsApp! Entre no canal e acompanhe as principais notícias da região

Mais para você