COP 30 trava em clima tenso: bastidores exclusivos direto de Belém

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AVANÇO?

Plano global de saúde avança, mas divisões ameaçam COP 30 em Belém

Georges Humbert*

16/11/2025 – 22:18 h

Indígenas, calor extremo e negociações travadas: a COP 30 como você ainda não viu

Indígenas, calor extremo e negociações travadas: a COP 30 como você ainda não viu –

Em Belém, sob o sol abrasador da Amazônia, a 30ª Conferência das Partes (COP 30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas ganha contornos de uma epopeia contemporânea. Combinando promessas e desafios, o evento reflete a complexidade das negociações climáticas globais. Assistindo como repórter veterano, sou testemunha de um ambiente que oscila entre otimismo e frustração. Entre os dias de debates acalorados, já se notam avanços significativos, mas também divisões que podem comprometer o progresso.

Desde seu início, a COP 30 conquistou uma nova abordagem, com foco na implementação. No primeiro dia, a agenda foi aprovada rapidamente, permitindo discussões sobre temas cruciais como adaptação e finanças climáticas. Essa mudança reflete a liderança do presidente Lula, que conecta decisões climáticas à vida cotidiana, especialmente para aqueles que vivem na Amazônia.

Um dos marcos do evento foi o lançamento do Plano de Ação de Saúde de Belém, uma colaboração internacional que busca medidas concretas contra os efeitos da crise climática, incluindo o aumento de mortes por calor, que cresceram 63% desde a década de 1990. Países como Brasil, Alemanha e Reino Unido se uniram para impulsionar um roteiro global para a transição energética, alinhando-se ao Acordo de Paris. Além disso, a Declaração de Belém sobre Justiça Climática, respaldada por 44 nações, prioriza os direitos indígenas e o financiamento de comunidades vulneráveis.

As vozes dos povos indígenas ressoaram de maneira impactante. No Pavilhão dos Povos e no Summit dos Povos, indígenas como os Munduruku, junto a mais de 5 mil ativistas, marcharam pedindo proteção e um basta ao desmatamento. As expressões culturais paraenses, como as apresentações de boi-bumbá, e acordos bilaterais, como entre Senegal e Noruega, mostram a COP como um propulsor de parcerias concretas. A proposta do Fundo para Florestas Tropicais Eternas, com um estágio inicial de US$ 125 bilhões, busca recompensar a conservação sem transformar a natureza em mercadoria.

Entretanto, a paz desse cenário amenizado foi quebrada por divisões alarmantes que surgiram nas discussões, especialmente sobre as obrigações financeiras dos países desenvolvidos conforme o Artigo 9.1 do Acordo de Paris. As nações em desenvolvimento clamam por “trilhões, não bilhões” para enfrentar a crise climática, mas a resistência dos países mais ricos continua a ser um obstáculo. Enquanto isso, o fundo de US$ 300 bilhões prometido é visto como insuficiente, contribuindo para um clima de tensão.

Os protestos, especialmente aqueles liderados por jovens ativistas como Greta Thunberg, destacaram a hipocrisia nas políticas do governo brasileiro. A manifestação contra projetos que invadem terras sagradas mostrou a determinação de manter a floresta intacta. Além disso, a ausência de uma liderança forte dos EUA e a divisão na UE enfraquecem ainda mais a dinâmica das negociações.

À medida que nos aproximamos da segunda metade da COP 30, onde começamos a fase política com a chegada de ministros, a oportunidade de se alcançar consenso é agora ou nunca. A Amazônia, com todo seu simbolismo, pode ser um campo fértil para inovações. Contudo, sem um financiamento justo e a inclusão genuína de vozes marginalizadas, corremos o risco de transformar avanços em promessas vazias.

Essa conferência é muito mais do que um simples encontro; é um chamado à ação. Cada voz conta. O que você pensa sobre as promessas da COP 30? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da discussão que moldará nosso futuro.

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