O patrocínio da Skokka e seu reflexo na infância dos jovens do Vitória

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ESPORTES

Publicidade Adulto em Clubes: Um Alerta para as Crianças

Isabela Cardoso

Skokka, nova patrocinadora do Vitória

Skokka, nova patrocinadora do Vitória –

“Qualquer criança acessa o conteúdo com um clique, o que indica uma falha na responsabilidade social“, afirma a advogada Milena Queiroz, trazendo à tona a preocupação após o novo patrocínio do Esporte Clube Vitória com a plataforma de conteúdos adultos, Skokka. Esse movimento levanta um importante debate sobre a exposição de crianças em um ambiente que deveria ser seguro.

A parceria com a Skokka, que sucede a aliança com a Fatal Model, destaca a contradição entre a natureza do conteúdo oferecido e o público infantil presente nas arenas de futebol, onde o esporte é visto como um espaço de convivência familiar. O presidente do clube, Fábio Mota, defende essa aliança, afirmando que o Vitória está quebrando preconceitos e promovendo inclusão, mas a pergunta persiste: é essa a mensagem que queremos passar?

A Constituição e a Proteção das Crianças

Milena alerta para o fato de que a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelecem a “prioridade absoluta” dos direitos das crianças. “É uma responsabilidade compartilhada entre família, sociedade e Estado”, aponta. No entanto, na prática, as plataformas não têm meios eficazes de proteção, colocando em risco a formação da identidade e a saúde psicológica das crianças.

Parte do Catálogo no site da Skokka

Parte do Catálogo no site da Skokka | Foto: Reprodução | Skokka

Impacto da Exposição

O patrocínio da Skokka exemplifica uma tendência crescente no futebol brasileiro, onde a presença do mercado adulto torna-se cada vez mais comum em clubes como Vitória, Paysandu e Ponte Preta. Recentemente, a Fatal Model até ofereceu planos aos jogadores do Flamengo em uma promoção relacionada à Libertadores, indicando uma busca pela normalização de serviços que não deveriam estar relacionados ao ambiente esportivo.

Milena conclui que o patrocínio não é ilegal, mas sim “juridicamente questionável”. “O direito à livre iniciativa do clube não pode suplantar o direito da criança à proteção integral”, alerta, destacando que a responsabilidade deve ser coletiva. Um questionamento necessário sobre como equilibrar liberdade comercial e a proteção dos menores se impõe neste cenário.

O Portal A TARDE está em contato com o Esporte Clube Vitória e o Ministério Público da Bahia em busca de um posicionamento sobre os impactos dessa decisão.

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