Quartos trancados, cenas de tortura e uma rotina insuportável. Esses foram os elementos chocantes encontrados pela Polícia Civil da Bahia durante uma operação na clínica de reabilitação para dependentes químicos Terra Santa Videira, localizada em Candeias. A ação, realizada na manhã de 22 de novembro, resultou no resgate de 39 pacientes em situações extremas de abuso e privação de liberdade.
Os investigadores descobriram um cenário de crimes horrendos, incluindo relatos de espancamentos e afogamentos. Um dos resgatados compartilhou que chegou a acreditar que morreria afogado depois de ser enforcado e forçado a trabalhar exaustivamente sob ameaças de agressões. O testemunho é doloroso: “Fui agredido com pedaço de bambu e barra de ferro, e ainda assim me obrigavam a trabalhar das cinco da manhã até à noite”.
Na operação, o gerente da clínica, Charles Vinicius, foi preso em flagrante, sendo acusado de tortura e maus-tratos. Ele foi encontrado dormindo nas dependências do local e é considerado o braço direito do proprietário da instituição, que ainda não foi capturado. De acordo com o delegado Marcos Laranjeira, a situação dos internos era alarmante, com muitos apresentando lesões recentes.
Os resgates foram precedidos por investigações que já envolviam as mortes de dois funcionários da clínica. A operação revelou que internos enfrentavam práticas abusivas como trabalhos forçados, privação de liberdade e administração irregular de medicamentos. Relatos indicavam que alguns pacientes eram dopados para facilitar o controle e que viviam em condições desumanas, alguns até sem banho e sem roupas adequadas.
Além dos abusos físicos e psicológicos, denúncias apontaram para um “quartinho do amor”, onde pessoas eram penduradas e agredidas. “Esse lugar era chamado de quartinho do amor, mas não havia amor algum, era uma sala de tortura”, relatou um dos internos resgatados.
Os policiais também encontraram áreas de mata próximas à clínica, onde se suspeita que internos eram forçados a escavar buracos, possivelmente para descartar corpos ou lixo. A investigação, que teve início por conta das mortes de Iago e Geovane, agora se expande, mirando possíveis outros crimes, como execução de vítimas e envolvimento em atividades de organizações criminosas.
Essa operação expõe o lado obscuro de instituições que deveriam oferecer reabilitação, levantando questões sobre a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa nesse tipo de serviço. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes e responsabilizar os culpados.
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