Lei Aldir Blanc financia doutrinação religiosa em Dias d´Ávila

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FÉ DEMAIS

Editais sob encomenda contemplam influenciadores evangélicos

Alan Rodrigues

Pastor Junior de Araci assumiu a secretaria de Cultura em maio, após desmembramento da secretaria de esporte.

Pastor Junior de Araci assumiu a secretaria de Cultura em maio, após desmembramento da secretaria de esporte. –

A Secretaria de Cultura de Dias d´Ávila tem gerado polêmica ao contemplar, mais uma vez, pastores e influenciadores evangélicos com recursos da Lei Aldir Blanc. Recentemente, um pastor foi declarado inabilitado em um edital de capacitação, enquanto o pastor Alcides Reis Santos Junior, conhecido como Pastor Junior Santos, foi premiado, após ser a única proposta qualificada. Com mais de 400 mil seguidores, Junior Santos se tornou o primeiro a receber os benefícios de uma nova categoria criada na lei: a de “Influencer Digital Cultural”.

O secretário de Cultura, Júlio da Silveira Reis Júnior, é também pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular, a mesma do pastor inabilitado. Essa conexão levanta questões sobre dificuldades em garantir uma competição justa. O edital parecia moldado sob medida, exigindo que os candidatos tivessem pelo menos 300 mil seguidores. Para complicar ainda mais, Junior Santos é seguido pelo secretário e frequentemente compartilha conteúdo produzido por Maria Nazaré Malvar Reis, esposa de Júlio, que atua na secretaria.

Nazaré possui um podcast dedicado ao segmento evangélico, enquanto Junior Santos oferece serviços de mentoria para ajudar seus seguidores a aumentar sua presença nas redes sociais. Essa rede de relacionamentos traz à tona um cenário de favorecimento e exclusão de vozes que não se alinham às crenças evangélicas.

O direcionamento também se evidencia no cancelamento de um edital anterior, que visava “garantir a participações de candidatos do segmento gospel”. Este novo edital foi lançado de maneira apressada, apenas quatro dias após o seu anúncio, incluindo um fim de semana, limitando a oportunidade de concorrência. Além disso, um festival chamado “Voz Estudantil”, sob a Lei Aldir Blanc, apresentou mais de 23 músicas de louvor em suas eliminatórias, sugerindo uma clara doutrinação religiosa.

Esse contexto levanta sérias dúvidas sobre a imparcialidade das iniciativas culturais e seu impacto no cenário social. Todos esses acontecimentos geram reflexões sobre como a cultura pode ser utilizada como uma ferramenta de promoção de determinadas ideologias.

O que você acha dessas iniciativas voltadas a influenciadores evangélicos? Deixe seu comentário e compartilhe sua opinião sobre a relevância da diversidade no campo cultural.

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