
A Bahia se aproxima de 44 anos de eleições diretas em meio a um panorama que, apesar de avanços, ainda privilegia os homens nas posições de liderança. O papel das mulheres, muitas vezes relegado ao cargo de vice, revela uma dinâmica preocupante: a presença feminina continua sendo usada como uma estratégia para atrair votos, sem a real intenção de promover a igualdade.
Mulheres: A Tática das Chapas
A professora Maria Inês Ferreira, da UFRB, ressalta que é raro encontrar mulheres como candidatas à cabeça de chapa em pleitos majoritários. “Observamos mulheres em posições de vice, mas com chances reais de vitória, isso é incomum”, afirma. Essa tendência sugere que, embora haja uma evolução, o domínio masculino persiste nas decisões partidárias.
Entre 2002 e 2022, o número de mulheres vice em chapas na Bahia não aumentou; apenas quatro foram indicadas nesse período. Em 2024, embora algumas mulheres tenham avançado no cenário municipal de Salvador, a realidade nacional ainda é alarmante. Apenas quatro mulheres disputaram como vices nas eleições presidenciais de 2022.
A Estratégia da Representatividade
O cientista político Cláudio André de Souza vê essa escolha como uma estratégia para alcançar o eleitorado feminino, que representa uma parte significativa do eleitorado brasileiro. Ele enfatiza que é uma resposta à demanda por maior presença feminina na política, embora ainda pareça superficial.
A luta das mulheres por uma participação mais significativa nos espaços de poder é um reflexo das necessidades do eleitorado. “As legendas percebem que indicar mulheres como vices pode atender a essas demandas”, observa Maria Inês. Contudo, a mudança real dependerá de uma transformação estrutural nas lideranças partidárias.

O evento “Mulheres em Pauta: Empoderamento e Segurança”, promovido pelo Grupo A TARDE, é uma iniciativa importante para debater o papel da mulher na política e na sociedade. A ocasião busca ampliar a discussão sobre como as mulheres podem ser protagonistas em um cenário muitas vezes hostil.
É essencial que a sociedade se mobilize e participe desses debates. Você acredita que a indicação de mulheres para cargos como vice pode realmente transformar o cenário político? Compartilhe sua opinião nos comentários!