A união do Rio em torno de Romário: polícia e CV na missão de encontrar o pai do craque antes da Copa

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O Rio de Janeiro de 1994 era um cenário aterrador, onde sequestros tornaram-se rotina nas páginas dos jornais. Empresários desapareciam e uma nova Divisão Anti-Sequestro tentava conter uma onda de criminalidade crescente. Um comerciante, no entanto, se tornou o centro das atenções: Edevair de Souza Faria, pai do ícone do futebol Romário, foi sequestrado. O que poderia ser mais um caso na cidade se transformou em uma crise nacional.

O Peso da Responsabilidade do Futebol

Naquela época, Romário não era apenas um jogador; ele era visto como a chave para a esperança do Brasil na Copa do Mundo, que não conquistava o torneio há 24 anos. A declaração do atacante de que não poderia jogar enquanto seu pai estivesse cativo gerou uma onda de pânico coletivo. O Rio de Janeiro, dividido entre polícia e tráfico, uniu forças com um único objetivo: libertar Edevair e garantir que Romário pudesse atuar no Mundial.

Edevair de Souza Faria, pai de Romário
Edevair de Souza Faria, pai de Romário – Foto: Reprodução / Redes Sociais

O delegado Hélio Vígio, à frente da Divisão Anti-Sequestro, percebeu que os sequestradores haviam cometido um erro monumental ao exigir um resgate exorbitante de US$ 7 milhões. Sua análise cortante indicava que a colaboração com o crime organizado poderia ser a chave para a solução. “Nem Pelé tem esse dinheiro todo”, declarou ele, inflando a pressão sobre os sequestradores.

Quando o Crime Organizado Entrega Seus Próprios

Do outro lado da cidade, um personagem inesperado entrou em cena: Orlando da Conceição, conhecido como Orlando Jogador, líder do Comando Vermelho, se mobilizou para ajudar na busca por Edevair. Apaixonado por futebol e respeitado nas comunidades, ele viu a urgência da situação. Relatos de que Orlando organizou uma força-tarefa com criminosos e até policiais para encontrar o pai de Romário mostram uma interseção intrigante entre mundos opostos.

Delegado responsável pela Divisão Anti-Sequestro era Hélio Vígio
Delegado responsável pela Divisão Anti-Sequestro era Hélio Vígio – Foto: Reprodução / Redes Sociais

Romário, anos depois, confirmou que o tráfico havia contribuído para o resgate. “Não só acho como tenho certeza”, disse ele, destacando a complexidade da relação entre crime e sociedade na época. Todos queriam evitar a tragédia de perder o craque antes da competição. Assim, o sequestro rapidamente se transformou em uma questão nacional.

A libertação de Edevair, ocorrida após seis dias de tensão, resultou em uma celebração nacional. Ele apareceu com marcas de algemas, mas com a serenidade que contrastava com a crise que envolvia o país. “Não valia os US$ 7 milhões”, brincou, enquanto todos respiravam aliviados.

Imagem ilustrativa da imagem Quando o Rio se uniu por Romário: polícia e CV na busca pelo pai do craque antes da Copa
Foto: AFP/TIMOTHY A. CLARY

Romário se preparou e, pouco depois, fez história na Copa do Mundo. Curiosamente, a intersecção entre a polícia e o crime organizado teve um papel crucial nesse resgate. Ironia do destino, o homem que tanto ajudou, Orlando Jogador, foi assassinado pouco antes do Mundial. Sua morte ressaltou a brutalidade de um Rio em que futebol e crime coexistiam de formas complexas.

Este episódio é um lembrete sombrio de como, em 1994, encontrar o pai de Romário tornou-se uma prioridade coletiva que transcendia a segurança pública. O Brasil voltava a sonhar com seu tetracampeonato, mas, antes disso, teve a urgente missão de resgatar Edevair. Como você vê a relação entre esporte, crime e sociedade? Deixe sua opinião!

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