Ser juíza no Brasil e na Bahia: avanços institucionais e os desafios que ainda persistem

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AMAB EM FOCO

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Imagem ilustrativa da imagem Ser juíza mulher no Brasil e na Bahia: entre conquistas institucionais e desafios persistentes

A presença das mulheres na magistratura brasileira é um marco histórico em ascensão, mas os desafios enfrentados no dia a dia revelam uma realidade complexa. Mesmo com igualdade formal assegurada nos concursos, a trajetória de juízas, especialmente na Bahia, é repleta de obstáculos que vão além da aprovação em provas.

Desafios da Autoridade Feminina

Muitas juízas ainda lidam com a dúvida sobre sua autoridade em ambientes predominantemente masculinos. A competência técnica é frequentemente questionada de forma desproporcional em comparação aos homens, resultando em um julgamento implícito que exige que as mulheres provem sua capacidade repetidamente. Essa desconfiança é um fardo, onde a postura firme de uma mulher pode ser vista como autoritarismo, enquanto a mesma conduta em um homem é tratada como liderança.

Estruturas de Poder e Dupla Jornada

Na Bahia, a realidade é ainda mais desafiadora. Juízas atuam em comarcas com escassez de recursos e lidam com uma carga de trabalho excessiva, enquanto enfrentam as expectativas sociais que as mantêm como cuidadoras da família. A dualidade das responsabilidades gera o fenômeno da “dupla jornada”, tornando sua atividade profissional ainda mais árdua.

Além disso, apesar de haver um número crescente de mulheres na magistratura, elas permanecem sub-representadas em cargos de direção. A ascensão funcional condicionada a critérios subjetivos muitas vezes perpetua uma estrutura que favorece trajetórias masculinas, desconsiderando as interrupções que as mulheres frequentemente enfrentam em decorrência de responsabilidades familiares.

O machismo institucional ainda permeia a atuação das juízas, manifestando-se em comportamentos que vão desde comentários inócuos até resistência explícita. Este quadro se agrava em um estado majoritariamente negro como a Bahia, onde as desigualdades históricas são evidentes.

Contudo, a presença feminina no Judiciário está promovendo mudanças significativas. A diversidade de experiências contribui para uma Justiça mais sensível e humana, especialmente em temas como violência doméstica e direitos das mulheres, inexoravelmente ressignificando a magistratura.

Ser juíza mulher no Brasil é lutar contra as adversidades diárias e reafirmar que a Justiça é para todos, independentemente de gênero. Apenas enfrentando as desigualdades que ainda persistem nas instituições será possível avançar para uma Justiça verdadeiramente justa e representativa.

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