
Após uma queda de mais de 13% no acumulado do ano, o futuro do dólar se torna uma dúvida no último mês. Começando dezembro, a moeda americana apresentou uma leve alta de 0,43%, alcançando R$ 5,36. Esse movimento, embora modesto, é influenciado por um fluxo típico de final de ano, onde empresas e fundos tendem a enviar dólares para o exterior.
Esse fenômeno foi notado logo no primeiro pregão do mês, com operadores atribuindo a pressão sobre o real à demanda crescente pela moeda americana. O diretor da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, sugere que, após a rolagem de contratos futuros, a procura por “dólar spot” aumentou, principalmente para remessas de lucros e dividendos. Segundo ele, essa pressão é esperada durante todo o mês, embora as intervenções do Banco Central possam amenizar os impactos.
Em recente evento da XP, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou a defesa pelo regime de câmbio flutuante, destacando que a autarquia intervém apenas em situações de “disfuncionalidade”. Essa abordagem pode ser crucial considerando as oscilações que o dólar poderá enfrentar nas próximas semanas.
Internacionalmente, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, teve uma leve queda. O PMI industrial dos EUA também apresentou resultados abaixo do esperado, caindo para 48,2 em novembro. Essas tendências indicam um cenário volátil, refletindo diretamente nas divisas emergentes, incluindo o real.
Um fator adicional a ser observado é a possibilidade de aumento de juros pelo Banco do Japão, que pode impactar operações de carry trade, afetando moedas latino-americanas como o real. Apesar de indicadores favoráveis, como a valorização do petróleo, as moedas da região ainda enfrentam um desafio considerável.
Eduardo Aun, gestor da AZ Quest, comenta que a recente sinalização do Federal Reserve pode beneficiar moedas emergentes até o fim do ano, embora as oscilações não sejam significativas. O consenso entre analistas é de que deve ocorrer um corte de 25 pontos-base na taxa de juros americana na próxima semana, em resposta à deterioração das condições financeiras.
Essa alteração na postura do Fed tem calmado os mercados, criando um ambiente mais favorável à tomada de riscos. No entanto, a interconexão entre elevação de juros e o desempenho das divisas emergentes permanece um tema a ser monitorado com atenção.
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