
As taxas dos DIs fecharam em leve baixa na terça-feira (23), com os investidores reagindo de maneira otimista ao cancelamento da entrevista do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão veio após sua prisão por tentativa de golpe de Estado, aliviando um pouco a pressão nas curvas de juros, que eram afetadas pela inflação de serviços em alta.
Impacto da Inflação no Mercado
O IPCA-15, uma prévia importante da inflação, subiu apenas 0,25% em dezembro, um número ligeiramente abaixo do esperado de 0,27%. Apesar de uma taxa acumulada em 12 meses de 4,41%, ainda distante da meta de 3%, a situação trouxe esperança no mercado financeiro. Em contrapartida, a inflação de serviços subiu de 0,66% para 0,70%, preocupando analistas sobre pressões inflacionárias persistentes.
Em termos práticos, a taxa do DI para janeiro de 2028 alcançou 13,27%, enquanto a de janeiro de 2035 caiu para 13,7%. Esse movimento foi bem recebido, mostrando que o mercado estava conseguindo respirar após o cancelamento da entrevista de Bolsonaro, que poderia ter reforçado preocupações sobre a candidatura de seu filho, Flávio. Desde que ele foi apontado como candidato à presidência em 2026, muitos acreditavam que sua candidatura poderia ser menos competitiva.
O Alívio do Mercado
O cancelamento da entrevista foi visto como uma oportunidade de alívio, já que poderia confirmar a candidatura de Flávio Bolsonaro, aumentando as incertezas no mercado. Antes do cancelamento, as taxas de juros subiram, atingindo um pico de 13,395% logo no início do dia. Após a notícia, a taxa recuou, atingindo 13,235%. Essa reação do mercado foi acompanhada pela queda do dólar e pelo avanço do Ibovespa, o que indica um clima mais favorável para os investidores.
Ainda assim, as reações dos investidores mostram que a curva de juros está precificando uma manutenção da Selic em 15% até o fim de janeiro, com chances de apenas 30% de um corte nas taxas. Isso sinaliza uma cautela em relação à gestão da inflação, especialmente em tempos conturbados como os atuais.
Como observou Laís Costa, analista da Empiricus Research, as incertezas políticas continuam a permear o ambiente econômico. O movimento da curva de juros reflete essa complexidade, mostrando que os investidores estão atentos e prontos para reagir às mudanças no cenário político e econômico.
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