Efeito Trump: casa de jovens LGBTs em SP vai fechar por falta de verba

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A extinção dos programas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) nos EUA, promovida pela administração de Donald Trump, repercute até o Brasil, atingindo diretamente a Casa 1, uma casa de acolhimento para jovens LGBTs em vulnerabilidade em São Paulo. Sem os recursos financeiros de instituições norte-americanas, o espaço, localizado no coração da Bela Vista, enfrenta um futuro incerto e pode encerrar suas atividades em breve.

Inaugurada em 2019 pelo relações públicas e jornalista Iran Giusti, a Casa 1 tem sido um farol de esperança, acolhendo jovens LGBTs vítimas de discriminação e violência. Com cerca de dois mil atendimentos mensais, a casa oferece uma gama de serviços, incluindo atendimento psicológico e cursos de capacitação, ajudando a transformar vidas e proporcionar dignidade.

Entretanto, a realidade é sombria. Recentemente, a Casa 1 começou a interromper suas atividades essenciais devido à falta de recursos. As histórias de transformação que emergem deste espaço brilhante correm o risco de se desvanecer.

O que começou como uma simples oferta de acolhimento em uma postagem do Facebook de Giusti se transformou em um complexo que inclui não apenas um centro de acolhimento, mas também uma biblioteca comunitária, um brechó e um centro cultural. Há quase uma década, a Casa 1 se tornou um destino para jovens entre 18 e 25 anos, oferecendo a eles um abrigo por até quatro meses e parcerias que atendem imigrantes LGBTs de países onde enfrentam severa repressão.

Com o custo mensal de manutenção chegando a R$ 250 mil, Giusti enfatiza que a casa depende majoritariamente de doações da sociedade civil, que respondem por até 70% de sua arrecadação. No entanto, esses fundos têm diminuído drasticamente. O financiamento público, sempre um desafio, raramente atinge a Casa 1. O apoio mais recente, um edital de R$ 300 mil, cobre apenas uma fração do orçamento necessário.

Com relatos de instituições ameaçadas pela redução no apoio a iniciativas focadas em diversidade, Giusti revela como o discurso em torno de gênero e sexualidade se tornou um tabu entre muitas empresas. “Quando tentamos garantir financiamento, a resposta é frequentemente de que nosso projeto não se encaixa na temática desejada”, explica. Em um ambiente social já tão desafiador, essa falta de apoio apenas agrava a situação.

A perda de duas parcerias financeiras internacionais foi o golpe final para a Casa 1, empurrando-a para um fim iminente. Se o cenário não mudar, Giusti projeta que as operações poderão se encerrar até janeiro, sem a possível reversão deste quadro. Ele reflete sobre o impacto emocional da situação: “Quando um funcionário é desligado, o clima na casa se torna insuportável”, diz, ecoando a dor gerada pela perda de cada visita e cada história.

A Casa 1 não é apenas um abrigo, mas um catalisador de mudanças. Jonys, um fotógrafo de 28 anos, encontrou acolhimento e apoio psicológico ali, afirmando que “a Casa 1 mudou a minha vida”. Da mesma forma, Júlio, um massoterapeuta que aprendeu inglês na Casa, acredita que o espaço ofereceu oportunidades que, de outra forma, lhe seriam negadas por questões financeiras e sociais. Para ele, a Casa é um verdadeiro “lar” para todos, sem qualquer tipo de discriminação.

A despedida não é apenas de um espaço físico, mas de um lar que permite que vidas se reinventem. Ao olharmos para o futuro da Casa 1, a história ainda não está completamente escrita. A esperança reside na resiliência da comunidade e na possibilidade de reverter a situação. Agora, mais do que nunca, é essencial apoiar essa causa.

Você gostaria de fazer a diferença? Compartilhe nos comentários como podemos ajudar a Casa 1 ou outras iniciativas semelhantes que promovem acolhimento e empoderamento. Sua voz pode ser a luz que este espaço tão precioso precisa para continuar brilhando.

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