Durante uma intensa reunião na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do crime organizado, o senador Sérgio Moro (União Brasil) levantou um ponto crítico em relação à atuação da Polícia Federal (PF). Em meio a discussões sobre a eficácia das operações contra organizações criminosas, ele expressou uma inquietação crescente: a sensação de que a PF não estaria “fazendo o suficiente” para enfrentar essa grave questão.
Moro citou um episódio específico, a operação no Rio de Janeiro que resultou em 121 vidas perdidas, como um exemplo que acentuou essa percepção de inércia. “Houve uma percepção de que a Polícia Federal não está fazendo o suficiente… no enfrentamento ao crime organizado”, declarou. Ele questionou a liderança da PF sobre as ações tomadas contra facções como o Comando Vermelho, alertando para a necessidade de uma resposta mais contundente.
Em resposta, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, defendeu a posição da corporação. Ele explicou que, embora houvesse uma comunicação operacional com a polícia do Rio, a legalidade da atuação da PF na megaoperação não estava garantida. “Naquela operação, que é do estado, não havia atribuição legal para participarmos”, afirmou.
No cerne da discussão, Moro também questionou a falta de iniciativas direcionadas contra o crime organizado, especialmente em comparação com a investigação dos atos antidemocráticos ocorridos em 8 de Janeiro. Andrei, por sua vez, destacou que a PF já possui grupos instaurados, como a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), dedicados a essas operações. Ele garantiu que existem, sim, esforços focados em desmantelar facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho.
Ainda, o diretor mencionou uma nova divisão responsável pela análise de dados de facções, que visa mapear lideranças e monitorar a situação dos criminosos em termos de prisão e liberdade. “Trabalhamos com informações precisas, repassando-as às unidades para uma atuação mais eficiente”, concluiu.
Essa troca acalorada revela não apenas um dilema sobre a eficiência da Polícia Federal, mas também a urgência de ações mais decisivas no combate ao crime organizado. O que você pensa sobre a atuação da PF? Deixe seu comentário e compartilhe suas ideias.