O renomado arquiteto e professor Siegbert Zanettini, aos 91 anos, continua na ativa e critica com veemência a proliferação de “monstros” de concreto que dominam São Paulo. Ele não se intimida ao afirmar que a cidade se tornou um grande amontoado de construções desordenadas, clamando pela urgência de uma reflexão sobre o futuro urbano.
A Urbanização Desmedida de São Paulo
Zanettini, que acumula um legado de 1.200 projetos e prêmios, luta para preservar o edifício da Escola Panamericana, que corre o risco de ser destombado. A Keeva Empreendimentos, proprietária do imóvel, alega que a construção não possui valor histórico. O arquiteto, entretanto, refuta essa ideia, ressaltando que a construção de outro prédio nas proximidades é um exemplo claro da violência urbanística: “Lá estão os novos tempos, onde a tradição se perde em nome do lucro.”
Para ele, a escalada vertical da cidade ignora as necessidades dos moradores. “Prédios de 100 metros eram impensáveis em ruas de 18 metros. Isso não é arquitetura, é uma anticidade”, critica, ao rememorar a destruição de edificações que valorizam a história e a identidade paulistana.
O Impacto Social da Arquitetura Moderna
Zanettini expressa sua tristeza ao rememorar a demolição da Panamericana, onde vivenciou momentos importantes da arquitetura brasileira. “Era um repositório de histórias, não apenas uma estrutura física.” Ele teme que a atual busca desenfreada por lucro destrua os referenciais que outrora tornavam São Paulo única.
Ainda que ele tenha enfrentado desafios antes, como em 1996, quando lutou contra o prolongamento da Faria Lima, a sensação é de que a batalha pela preservação se torna cada vez mais difícil. O arquiteto observa que a cidade é agora governada pelo capitalismo selvagem, onde o valor econômico predomina e as questões humanísticas são colocadas em segundo plano.
A escala desmedida dos novos edifícios não respeita a essência da cidade. “Não se encontra mais Pinheiros ou Itaim; tudo foi destruído em nome do lucro”, lamenta Zanettini, destacando que, sem leis que priorizem a qualidade de vida, o futuro urbano parece sombrio.
A mensagem é clara: cada novo projeto deve considerar não apenas o retorno financeiro, mas também seu impacto na vida dos habitantes e na história da cidade. Agora é a vez de novos arquitetos refletirem sobre esse legado. Quais ações você, leitor, acredita serem necessárias para resgatar a identidade de São Paulo?