Belo Horizonte – A inteligência artificial levanta um novo alerta sobre desigualdades raciais, especialmente com a proximidade do Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, celebrado em 21 de março. Especialistas afirmam que, mesmo em um país onde mais da metade da população se declara preta ou parda, a tecnologia pode agravar as disparidades sociais.
Luciana C. Souza, professora da Faculdade Milton Campos, ressalta que o problema reside nos dados usados para treinar a inteligência artificial. “Quando esses dados contêm desigualdades históricas, a tecnologia tende a reproduzi-las,” explica.
Algoritmos e Preconceitos
O fenômeno do racismo algorítmico ganhou visibilidade após o caso da Amazon, que abandonou um sistema de recrutamento que favorecia perfis já contratados, prejudicando candidatas mulheres. Essa situação ilustra como a falta de supervisão humana pode resultar em decisões que reforçam desigualdades em áreas críticas como emprego e crédito.
Avanços Jurídicos
No Brasil, o Projeto de Lei 2338/2023, que propõe um Marco Regulatório da Inteligência Artificial, busca estabelecer normas para o uso dessa tecnologia. O projeto inclui a supervisão humana em decisões automatizadas e medidas para evitar discriminação racial, de gênero e social. Para Luciana, a missão é equilibrar inovação e proteção dos direitos humanos
“É crucial garantir que essas ferramentas respeitem a responsabilidade social e os direitos fundamentais,” afirma.
“Valorizar a cultura afro-brasileira é essencial na luta contra a discriminação velada,” continua a pesquisa sobre a importância do 21 de março.
Raquel Santiago, uma jornalista e mãe de três meninas pretas, destaca a necessidade de preparar as filhas para enfrentar o preconceito. Ela reforça que o diálogo e a educação em casa são fundamentais: “Ensino que reconhecer o racismo e se posicionar contra ele é essencial.”
Enquanto fala sobre experiências de racismo, Raquel também enfatiza que, apesar da dureza do tema, é importante nutrir a autoestima das crianças. “Elas precisam entender que o racismo não define quem são,” conclui.
No Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial, Raquel lamenta a necessidade de abordar questões tão sérias com tão pouca idade. “Infelizmente, o racismo é cruel, e precisamos prepará-las,” desabafa.
Números Alarmantes
De acordo com o Censo 2022 do IBGE, mais de 112 milhões de brasileiros se autodeclaram pretos ou pardos, evidenciando a necessidade urgente de se abordar esses temas na sociedade.
A luta por uma tecnologia mais justa é apenas o começo. Como você vê o papel da inteligência artificial na sociedade atual? Compartilhe suas opiniões nos comentários.