
Trump e o tarifaço: como Lula planeja usar a soberania como tema central de sua reeleição
A pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se prepara para centrar suas estratégias em temas como a defesa da soberania nacional. Com a recente imposição de tarifas pelos Estados Unidos, que podem chegar a 37,5% e afetam 16,5% das exportações brasileiras, essa pauta se torna ainda mais relevante. Aliados do presidente acreditam que questões como segurança pública e a reformulação da carga horária de trabalho também estarão em destaque durante a corrida eleitoral.
Essas tarifas, que podem impactar US$ 6,6 bilhões (aproximadamente R$ 33,6 bilhões) das exportações nacionais, acenderam um alerta no governo brasileiro. O governo dos EUA já havia tomado medidas que levantaram suspeitas de interferências, incluindo sanções a autoridades brasileiras e a designação de facções criminosas como terroristas. A pressão externa, fomentada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, intensificou a retórica de Lula em defesa da autonomia, reforçando sua popularidade no cenário político.
Pesquisas indicam que 51% dos brasileiros acreditam que Flávio Bolsonaro, filho de Jair, influenciou as tarifas impostas por Trump, o que pode ser explorado como um ativo político para Lula. Em resposta a essa crise, o Partido dos Trabalhadores lançou a campanha “O Brasil Não Se Entrega”, que vincula a discussão da soberania ao cotidiano da população, abrangendo temas como a proteção do emprego e a valorização da indústria nacional.
Outro ponto a ser abordado é a defesa da democracia. Lula evidencia como gestões anteriores deixaram um cenário prejudicial para políticas públicas e argumenta que é essencial evitar o retorno da extrema direita ao poder. A situação é mais tensa após declarações de Flávio Bolsonaro, que questionou a integridade das urnas eletrônicas, utilizando informações desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Com a campanha oficial começando em 16 de agosto, a convenção do PT que formalizará a candidatura de Lula ocorrerá no dia 2 desse mês. O presidente busca seu quarto mandato e, se vitorioso, se tornará o primeiro a governar o Brasil por quatro mandatos na era democrática. Além de sovereignty e democracia, seus apoiadores mencionam segurança pública, combate à violência contra a mulher e o fim da jornada de trabalho 6×1 como tópicos prioritários.
A proposta de emenda que visa reduzir a carga de trabalho máxima de 44 para 40 horas semanais, ainda na pauta, poderá se tornar um importante símbolo de campanha, mesmo que não avance a tempo no Senado. Os temas de saúde, emprego e meio ambiente também deverão figurar como centrais nas discussões ao longo da campanha.