Fintech é mencionada em suposta promessa de R$ 100 milhões por integrante do PCC, segundo PF

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Metrópoles

Mensagens de WhatsApp reveladas pela Polícia Federal (PF) expõem o empresário Rafael Bronzatti Belon, suposto líder da fintech Tycoon, discutindo a recepção de R$ 100 milhões prometidos pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Esses diálogos foram cruciais na denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra ele e mais 17 envolvidos na Operação Tank, que investiga um esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro que ultrapassa R$ 600 milhões.

Conexão Criminosa

Os procuradores afirmam que as conversas no celular de Belon evidenciam a relação entre a organização criminosa, originada no Paraná, e a facção criminosa mais poderosa do Brasil. O empresário, preso em 28 de agosto de 2025, e seu pai, também vinculado à Tycoon, estão detidos na Superintendência da PF em Curitiba.

A Tycoon, conhecida como Zeit Bank, foi utilizada para lavar dinheiro ilícito através de depósitos em espécie gerados em postos de combustíveis. Em uma troca de mensagens, Belon revela: “O Lu me ligou com os Corinthians [referente a faccionados do PCC]. Vão mandar 100m de outra”. Em outro momento, enfatiza que não teme a facção: “Não tenho medo dos caras, para te falar.”

Estratégias de Ocultação

No celular de Rafael, a PF também encontrou conversas onde admite que os integrantes do PCC estão em todas as atividades na sua região. Ele afirma: “Aqui em São Paulo, tudo é PCC, né?” A ligação de Italo Belon, seu pai, com figuras chave do esquema, como Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad, é evidenciada em suas mensagens, onde menciona conhecer o passado criminoso de ambos.

Desde sua fundação em 2016, a Tycoon tem sido vista como um banco para o crime organizado, recebendo 96,7% de seus créditos em espécie. Movimentações em bancos tradicionais como Caixa e Santander, totalizando R$ 331 milhões, ocorreram sem identificação dos clientes, permitindo que a PF constatasse o uso da fintech para dissimular fundos ilícitos.

troca de mensagens citada pelo MPF

Rafael explica que contas “bolsão” ocultam a identidade dos beneficiários, dificultando bloqueios judiciais. Este sistema permite que recursos que pertencem aos clientes permaneçam sob seu controle, mas sem registros imediatos, tornando a operação financeira mais complexa e menos visível às autoridades.

O Metrópoles tentou contato com as defesas dos envolvidos, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

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