Apesar da avaliação no Planalto, o próprio Trump afirmou que “Bolsonaro Jr” estaria “indo bem nas pesquisas”, mas querem prendê-lo
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Integrantes do Palácio do Planalto minimizam o possível efeito negativo que a condenação de Eduardo Bolsonaro pelo STF poderia causar na relação do governo Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A leitura de assessores palacianos para área internacional é de que, se o julgamento não ocorresse agora, os bolsonaristas encontrariam outro fato para tentar atrapalhar a relação entre Trump e o governo brasileiro.
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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva falando em púlpito
Ricardo Stuckert/PR
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Eduardo Bolsonaro
Vinícius Schmidt/Metrópoles
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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Win McNamee/Getty Images
Auxiliares de Lula ressaltam que o governo continuará agindo para reduzir o espaço de atuação dos bolsonaristas junto à administração americana, por meio do contato direto com a gestão Trump.
Nesse cenário, os assessores palacianos recordam que o contato direto entre Lula e Trump foi importante para dificultar os ataques da extrema direita norte-americana ao Brasil.
Integrantes do Planalto lembram que o histórico recente mostra que, sempre que um membro da família Bolsonaro se aproxima do governo Trump, algo de ruim acontece para o Brasil na sequência.
“Toda vez que um Bolsonaro se aproxima da Casa Branca, algo de ruim para o Brasil acontece. Isso aconteceu no ano passado, e não podemos esquecer as lições que tiramos disso”, afirmou, sob reserva, um dos interlocutores de Lula na área internacional.
Assessores palacianos avaliam que a atuação de Eduardo teria sido uma das responsáveis pelo tarifaço imposto pelo governo Trump a produtos brasileiros e pelas sanções a autoridades brasileiras.
Eduardo foi condenado pelo STF a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de coação, por ter atuado para interferir no julgamento em que seu pai, Jair Bolsonaro, foi condenado por tentativa de golpe de Estado.
Trump muda tom
Apesar de minimizar um possível efeito da decisão sobre Eduardo, o presidente americano subiu o tom contra Lula em entrevista ao site norte-americano Axios na sexta-feira (19/6).
Para a publicação, Trump afirmou que Lula é uma pessoa “muito volátil”, e que “não poderia se importar menos” com o presidente brasileiro. Reforçando o clima negativo entre os mandatários na reunião do G7, na França.
Após o fim do evento, na quarta-feira (17/6), Trump comentou a situação política e judicial da família Bolsonaro. Ao se referir ao caso de Eduardo, o presidente dos Estados Unidos confundiu o ex-deputado com o irmão, o senador e pré-candidato, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Eles agem com bastante dureza. Mas ninguém age com mais dureza do que os Estados Unidos. Nossas eleições são totalmente fraudadas”, declarou o presidente norte-americano.
Na avaliação de assessores palacianos, a confusão de Trump demonstra que o comentário foi improvisado. Lula rebateu e afirmou que Trump “não tem o direito” de se meter nas eleições brasileiras, independentemente de suas preferências eleitorais.
A coluna mostrou que, nos bastidores, um dos principais assessores de Lula na área internacional, avalia que a relação com o governo Trump se transformou em um “jogo de xadrez”, no qual cada movimento precisa ser cuidadosamente analisado antes de reagir.
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