Segregação: dossiê narra vida de mulheres negras no início de Brasília

Compartilhe

Segregação: dossiê narra vida de mulheres negras no início de Brasília - destaque galeria

Na construção de Brasília, um marco da modernidade, mulheres negras desempenharam papeis fundamentais, clamando por direitos e reconhecimento em uma terra marcada pela desigualdade. O dossiê “O lugar das mulheres pretas na construção de Brasília nas décadas de 70, 80 e 90” revela essas histórias, com testemunhos como o de Jacira da Silva, que, ainda adolescente, participava de reuniões clandestinas em busca de direitos políticos e melhorias sociais.

Jacira, que chegou a Brasília em 1960, ilustra a segregação da nova capital. “Morava na 414 Sul, mas estudava na 206 Sul, uma clara demonstração de que não havia espaço para trabalhadores”, conta. A geografia, conforme observado por Milton Santos, afastou negros e trabalhadores do centro, relegando-os a regiões como Ceilândia e Taguatinga. Isso fez ecoar uma visão de Brasília como uma cidade idealizada, que na prática era seletiva.

Ativismo nas Veias da Capital

O ativismo tomou conta da vida de Jacira quando se mudou para a 405/406 Norte, próximo à Universidade de Brasília, em meio à Ditadura Militar. “Havia racionamento de alimentos, uma realidade que contrapunha a propaganda da nova capital”, relata. Em 1981, Jacira ingressou no Movimento Negro Unificado do Distrito Federal (MNUDF), onde, apesar de suas contribuições, ainda lutava pelo reconhecimento como mulher negra.

“O Estado brasileiro sempre pregou a falsa democracia racial. É preciso que nossa voz seja ouvida”, defende.

O esforço conjunto das mulheres negras foi crucial para desafiar narrativas excluídas. Como Maria Luiza Júnior, cofundadora do MNU-DF, destaca, a criação de plataformas de resistência ajudou a manter a juventude viva em um contexto de racismo e invisibilidade. Já Cristina Guimarães recorda como o feminismo da época não refletia as experiências das mulheres negras, levando à criação do Encontro Nacional de Mulheres Negras em 1988, que se tornou um marco na luta por reivindicações justas.

Essas vozes continuam resonando hoje, levando adiante a luta contra o racismo e pela equidade. “Em 1988, surgiram inúmeras organizações negras e feministas”, finaliza Cristina, reafirmando a resistência que persiste até os dias atuais.

A narrativa dessas mulheres é um poderoso lembrete da luta por direitos e reconhecimento que continua. E você, o que pensa sobre isso? Compartilhe sua opinião nos comentários!

Você sabia que o Itamaraju Notícias está no Facebook, Instagram, Telegram, TikTok, Twitter e no Whatsapp? Siga-nos por lá.

Veja também

Mais para você