O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alerta sobre um possível aumento nas tarifas de exportação da carne bovina brasileira para a China, que pode chegar a 67% para volumes que excedem a cota anual. Ele responsabiliza o governo Lula pela situação e promete lutar contra tarifas de qualquer país, enfatizando sua oposição às consequências comerciais que podem impactar o Brasil.
Durante uma audiência pública em Washington, Flávio expressou preocupações sobre a proposta de Donald Trump de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Ele pediu que o adiamento das taxas fosse considerado até após as eleições. O senador busca distanciar-se da imagem de “Tariflávio”, uma vez que as tarifas surgiram logo após um encontro entre ele e o presidente americano.
O senador destacou que as tarifas mencionadas são parte de uma cota que, de acordo com a consultoria StoneX, já está quase esgotada. Até junho de 2025, o Brasil utilizou 98,5% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas para exportação de carne bovina. A cota é uma medida da China para proteger sua produção interna, que impõe uma tarifa de 12% até o limite, e uma sobretaxa de 55% para o volume excedente.
Entre janeiro e junho, as exportações para a China alcançaram cerca de 1,5 milhão de toneladas, representando um aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse crescimento se deu pela urgência dos exportadores em embarcar dentro do limite anual, já que o processo de internalização na China leva de 45 a 60 dias.
Diante dessa realidade, a StoneX projeta uma queda significativa nas exportações brasileiras para a China no terceiro trimestre. A redução temporária tende a impactar a oferta interna, forçando produtores a redirecionar carne bovina para outros mercados ou a retê-la no mercado local.
A consultoria destaca que o esgotamento da cota não é atribuído às falhas de negociação do governo, mas sim a uma dinâmica de mercado, com exportadores acelerando remessas para garantir espaço dentro do limite estabelecido.
O cenário é complexo e desafiador, mas ainda há esperança de que o Brasil mantenha sua posição de destaque nas exportações de carne bovina para a China, especialmente com a expectativa de que as compras se normalizem quando a nova cota for implementada.
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