
O Goldman Sachs rebaixou a recomendação do Banco do Brasil (BBAS3) de neutro para venda, reduzindo o preço-alvo de R$ 24 para R$ 21. A decisão reflete preocupações com a qualidade dos ativos na carteira rural, sendo a visibilidade reconhecidamente limitada, conforme admitido pela diretoria em recente evento com investidores. No fechamento da quarta-feira, as ações do BB recuaram 3,68%, para R$ 21,71.
Desafios no Setor Rural
Os altos custos de fertilizantes, agravados pelo conflito no Oriente Médio, e a inflação crescente criam um ambiente desafiador para o setor. Apesar das ações do BB serem negociadas a múltiplos descontados, a análise do Goldman ressalta que os riscos de lucro e guidance superam a perspectiva de valorização. A projeção atual é de R$ 64 bilhões em provisões, o que está 10% acima do teto do guidance, indicando uma pressão significativa nas operações.
Inadimplência em Aumento
A inadimplência no crédito rural aumentou 60 pontos-base entre dezembro de 2025 e março de 2026, sendo as linhas de custeio as mais impactadas. O Banco do Brasil informou que 80% dessas operações ainda se baseiam em políticas de crédito mais antigas, afetando os resultados a curto prazo. Para o segundo trimestre, a divulgação de dados de inadimplência será crucial para entender a gravidade da situação. O segmento rural representou aproximadamente 60% das provisões no 4T25, totalizando R$ 10,5 bilhões.
A pressão permanece intensa sobre a rentabilidade do Banco do Brasil, com expectativas de um retorno sobre patrimônio (ROE) de apenas 10,7% em 2026. A administração do banco é clara ao afirmar que a continuidade dos altos níveis de provisões manterá os resultados sob pressão. A estimativa para o 1T26 é de R$ 19 bilhões em provisões, demonstrando um aumento contínuo nos riscos operacionais.
Essas informações não apenas impactam a performance das ações do Banco do Brasil, mas também acendem um alerta para investidores sobre o futuro da instituição. O cenário se torna cada vez mais complexo e exige atenção redobrada. Quais são suas expectativas sobre a recuperação do BB? Compartilhe suas opiniões!