Em uma movimentada sessão do Senado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez um apelo decisivo à Câmara dos Deputados, instando-os a aprovar, ainda este ano, o projeto de lei do devedor contumaz. Após sete anos de tramitação, Haddad enfatizou que a aprovação é “imperiosa” para o combate ao crime organizado que se intensificará em 2026.
Haddad revelou que o governo brasileiro está criando uma frente de trabalho com os Estados Unidos para aprofundar a colaboração no combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico internacional de armas. Um dossiê que reúne evidências sobre as rotas de armamentos ilegais entrando no Brasil está sendo organizado para ser enviado à administração de Donald Trump.
As investigações apontam que os envolvidos utilizavam fundos baseados em Delaware para lavar dinheiro, realizando um fluxo que simulava investimentos estrangeiros enquanto movimentavam mais de R$ 1,2 bilhão. Haddad sublinhou a importância da cooperação internacional em questões que afetam diretamente a segurança e a economia do país.
Com um tom de urgência, Haddad anunciou a Operação Poço de Lobato, uma continuidade da Operação Carbono Oculto, desmantelando um esquema que movimentou mais de R$ 70 bilhões e deixou um rombo de R$ 26 bilhões em impostos. Foram cumpridos 126 mandados em cinco estados, confirmando a gravidade do crime econômico que permeia setores vitais da economia brasileira.
Destacando a necessidade de recuperar ativos no exterior, o ministro já iniciou contatos com a Interpol e o Ministério Público do Rio de Janeiro. Espera também que a Justiça decrete o perdimento de bens, inclusive um navio com mais de 180 milhões de litros de combustível, essencial para ressarcir a Petrobras em um setor tão afetado pela criminalidade organizada.
Por fim, Haddad reafirmou seu chamado à Câmara dos Deputados para a votação do projeto do devedor contumaz, ressaltando que a proposta é fundamental para distinguir práticas empresariais legítimas das fraudulentas. Em suas palavras, é imperativo que a legislação avance, garantindo uma competição justa e equitativa no mercado brasileiro.
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