Em uma jornada histórica, o Papa Leão XIV embarca nesta quinta-feira, 27 de novembro, para sua primeira visita ao exterior. O destino? O berço do cristianismo, em um itinerário que inclui a Turquia e o Líbano. Essa viagem de seis dias, que se estende até 2 de dezembro, representa o primeiro grande teste para o recém-eleito pontífice, apenas seis meses após assumir a liderança da Igreja Católica.
Diferente do seu antecessor carismático, Papa Francisco, Leão XIV traz um estilo discreto, mas sua missão é clara: promover o diálogo inter-religioso e clamar por paz em um Oriente Médio marcado por tensões e conflitos. Durante a sua passagem pela Turquia, o Papa participará das celebrações de 1.700 anos do Concílio de Niceia, local onde se estabeleceu o Credo, a base da fé cristã. Trata-se de um momento rico em simbolismo, pois reforça a ideia de que a unidade entre os cristãos ainda é possível.
Na Turquia, que abriga uma população de 86 milhões de habitantes, onde os cristãos representam apenas 0,1%, a visita não gerou grande alvoroço. Em contrapartida, o Líbano espera com grande fervor a chegada do Papa. O país, conhecido por sua diversidade religiosa e pela convivência pacífica, enfrenta uma crise sem precedentes desde 2019. A desvalorização da moeda, o empobrecimento e a explosão do porto de Beirute em 2020 são apenas algumas das feridas abertas que afligem a nação.
Como observou Vincent Gelot, da Obra do Oriente, os libaneses estão ansiosos por uma mensagem de esperança e ação voltada às elites. “Cansados de promessas vazias, eles buscam uma fala que traga verdade e mudanças concretas”, diz Gelot. A cidade se prepara para a visita do Papa com reformas nas estradas e cartazes clamando por paz: “O Líbano quer a paz”, dizem alguns deles, mesmo que essa paz pareça distante à luz dos conflitos incessantes.
Nesta viagem, Leão XIV se reunirá com jovens, celebrará uma missa ao ar livre para 100.000 fiéis e prestará uma homenagem silenciosa no local da explosão fatídica no porto. Em meio a este ciclo de desafios, sua presença poderá também destacar o trabalho vital de organizações que, frequentemente religiosas, buscam proporcionar educação e saúde a uma população desamparada. Recentemente, um relatório estimou que o Estado libanês deve cerca de US$ 150 milhões a mais de 250 associações que realizam estas importantes obras.
Na Turquia, além de reafirmar laços com o Islã em encontros com líderes locais, como o presidente Recep Tayyip Erdogan, Leão XIV terá a oportunidade de enfatizar a necessidade de unidade cristã. Ele foi convidado pelo patriarca Bartolomeu I para o aniversário do Concílio de Niceia, onde quase 300 bispos se reuniram no ano 325 para moldar as bases da fé cristã. A visita do Papa é um passo importante para tentar sanar as divisões entre as Igrejas, especialmente em um momento em que o mundo ortodoxo se encontra mais fragmentado do que nunca, exacerbado pela atual guerra na Ucrânia.
Com a última visita papal ao Líbano ocorrendo em 2012 e a de Turquia em 2014, Leão XIV carrega o peso das expectativas de um povo que anseia por esperança em tempos difíceis. A sua jornada representa não apenas um ato de fé, mas um verdadeiro convite à reflexão sobre a paz e a unidade em meio ao caos.
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