Um novo capítulo reacende o debate sobre a disputa de terras no município de Prado, no extremo sul da Bahia. Nesta quinta-feira (6 de novembro), o Governo da Bahia publicou no Diário Oficial do Estado a Portaria nº 95, da Superintendência de Desenvolvimento Agrário (DAS), ampliando a ação discriminatória sobre áreas ligadas à Bahia Costa Sul Empreendimentos LTDA (Basevi), empresa com atuação histórica na região desde a década de 1970, voltada ao setor imobiliário.
O documento estabelece uma nova investigação sobre terras devolutas na área denominada Sítio Lagoa Grande-Gleba A, que compreende cerca de 463,7 hectares. A medida visa garantir transparência e legalidade na identificação dos verdadeiros proprietários das áreas em disputa, reacendendo um impasse que envolve interesses empresariais, políticos e sociais.
Segundo registros apresentados em audiência pública, a Basevi recebeu em 1975 uma doação de 300 hectares para fins de parcelamento urbano. O vereador Fabiano Rodrigues, um dos parlamentares mais atuantes na pauta, defende que a empresa cumpra as exigências da Lei Federal nº 6.766/1979, que regulamenta o parcelamento do solo urbano, garantindo infraestrutura básica, como ruas, redes de água, energia elétrica e áreas públicas estruturadas.
Contudo, o caso ganhou novos contornos quando a empresa passou a reivindicar uma área muito superior à originalmente doada. O movimento levou o Estado a instaurar uma apuração detalhada da origem e legalidade das terras, expondo possíveis irregularidades históricas e acirrando o debate entre o poder público, o setor privado e movimentos populares.
Entre esses movimentos, o MUAF tem se destacado por sua atuação firme nas sessões da Câmara, visitas à Prefeitura e manifestações pacíficas. Um dos líderes mais reconhecidos do grupo é o chefe de cozinha Rodrigo Carvalho (@amokaxichef), proprietário do restaurante Toca do Moka, que se tornou símbolo de resistência social e consciência política na região.
Para Rodrigo, o momento exige clareza, coragem e comprometimento com o povo:
“Não estamos lutando apenas por terra, estamos lutando pelo direito à verdade e à dignidade. O que está em jogo é a história de Prado, e quem realmente está do lado dela”, afirma Rodrigo Carvalho (@amokaxichef)