Organização não governamental associada à Dark Horse financia entidade ligada a secretário com recursos municipais em São Paulo

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Demétrio Vecchioli

ICB contrata ONG ligada a Humberto Alencar para criar conteúdo no metaverso

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O Instituto Conhecer Brasil (ICB), sob a liderança do atual secretário da Tecnologia de São Paulo, Humberto Alencar Pizza, contratou uma ONG para desenvolver “conteúdo no metaverso” e vídeos para um evento apoiado pela Secretaria de Inovação e Tecnologia (SMIT). A contratação ocorreu em 2023, enquanto Alencar era secretário adjunto da pasta, que, posteriormente, firmou um contrato de R$ 108 milhões com o ICB para instalar pontos de Wi-Fi em comunidades da cidade.

A polícia civil investiga indícios de desvio de recursos destinados a este contrato de Wi-Fi, com suspeitas de que o dinheiro tenha sido desviado para o filme *Dark Horse*, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro. Um dos indícios é uma nota fiscal irregular de R$ 2 milhões de uma empresa cujos proprietários estavam ligados tanto ao ICB quanto à ONG de Alencar.

Em 2023, o ICB recebeu R$ 500 mil da SMIT, oriundo de uma emenda do vereador Isac Felix, para realizar o congresso “Rumos da Inovação na Educação do Futuro Agora” (RIEFA). No entanto, a prestação de contas incluía duas notas fiscais de serviços emitidas por uma entidade chamada ICT Inova Brasil, fundada por Humberto Alencar, indicando sua continuidade na liderança da ONG mesmo após sua saída formal.

Foi pago R$ 48 mil ao ICT para “conteúdo de vídeo” e R$ 85,5 mil para “conteúdo no metaverso”, mas a prestação de contas não trouxe provas da execução desses serviços. Além disso, não ficou claro por que uma ONG focada em carros elétricos foi escolhida para criar conteúdo digital.

Advogado diz que Humberto Alencar responde no e-mail de contato do ICT Inova Brasil

O Metrópoles já havia reportado que o ICB utilizou fundos públicos novamente para o RIEFA em 2025, com gastos inflacionados especificamente para a produção de vídeos e conteúdo digital. Os serviços foram agora contratados a empresas de Eduardo Ferreira Franco, que foi designado conselheiro do ICB. Franco tem laços com a Complexys, a empresa que emitiu a nota fiscal suspeita de R$ 2 milhões.

André Feldman, atual proprietário da Complexys, também foi conselheiro do ICT Inova Brasil, e seu envolvimento com Alencar gerou dúvidas, especialmente quando participou de uma reunião como “assessor” da SMIT, apesar de a pasta não confirmar esse cargo.

Alencar foi promovido a secretário da SMIT em abril de 2023, e embora tenha se desvinculado formalmente do ICT, seu envolvimento com a instituição foi mencionado até maio de 2025, quando um vereador destacou uma visita que fez a convite de Alencar.

A prefeitura defendeu Alencar, afirmando que ele não exerceu simultaneamente a função de adjunto e conselheiro do ICT Inova Brasil, com sua renúncia ao conselho datando de novembro de 2021. A gestão de Ricardo Nunes reafirmou que não houve vínculo no processo de escolha da organização social e que toda a documentação e faturas apresentadas pelo ICB foram devidamente verificadas.

Enquanto isso, Karina Gama, presidenta do ICB, não se manifestou em relação aos pedidos de entrevista. O desenrolar dessa história e as possíveis implicações judiciais seguem sob observação.

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